TCU aponta riscos em sistema de radar dos Cindactas

Relatório de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no ano passado e só divulgado na quarta-feira constatou falhas e riscos graves no sistema de visualização do radar X-4000, utilizado em todos os Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindactas) do País. O relatório aponta falhas e apresenta sugestões, considerando o sistema de Manaus, o Cindacta-4, o mais problemático, com risco potencial do sistema parar de funcionar a qualquer momento.

Agência Estado |

Na conclusão, o relatório aconselha à Aeronáutica, entre vários itens, que estabeleça parâmetros objetivos para avaliação de tolerância a falhas; promova alterações no sistema X-4000 para impossibilitar o travamento de consoles de visualização decorrentes de comandos inseridos pelos usuários, por meio de combinações de teclas; e adquira as peças necessárias ao restabelecimento das consoles inoperantes do sistema X-4000.

Além disso, o documento recomenda alterações nos sistemas dos centros de controle de aproximação do Rio de Janeiro e de São Paulo para que apresentem a informação correta quando houver alteração no plano de vôo após a decolagem. Um trecho do relatório, de 83 páginas informa que "os controles de aproximação do Rio de Janeiro e de São Paulo, nos dias em que foram visitados pela equipe, possuíam algumas posições inoperantes".

De acordo com o documento, o Cindacta-4 é o mais problemático. "A situação do controle de aproximação de Manaus é por sua vez mais preocupante, pois há risco potencial do sistema parar de funcionar a qualquer momento devido à escassez no mercado de peças de reposição para seus computadores."

Segundo o relatório, 30 controladores, técnicos e gestores de vôos foram entrevistados em órgãos que atuam no tráfego aéreo, entre eles, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) - Rio de Janeiro. As entrevistas apontam que as deficiências técnicas constatadas estariam sendo ignoradas pelas autoridades aeronáuticas. Já os gestores afirmaram que as falhas existentes não comprometem a segurança do serviço de controle de tráfego aéreo.

Manutenção

Segundo uma fonte do Cindacta-4, uma das falhas mais importantes detectadas pelo relatório foi o fato de que não há contrato de manutenção dos equipamentos de hardware do sistema. As manutenções e substituições de equipamentos danificados são feitas por técnicos da própria Aeronáutica. "O estoque de peças, todo mundo sabe, é limitado", afirmou.

O relatório destaca que a falta de padronização dos equipamentos utilizados no sistema X-4000 dificulta e encarece a aquisição de peças de reposição. "Foi constatado que a quantidade disponível de peças de reposição não é suficiente para manter todas as posições de controle operantes nos controles de aproximação de Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus", informa o relatório.

De acordo com o texto, na época da auditoria, no controle de aproximação do Rio de Janeiro, por exemplo, das nove posições de controle existentes, duas (22,2 %) estavam inoperantes devido à falta de peças de reposição. No dia da visita da equipe de auditoria ao controle de aproximação de São Paulo, das 14 posições existentes, seis (42,9 %) estavam inoperantes pelo mesmo motivo do Rio. No de Manaus, de acordo com os gestores e técnicos do sistema, os computadores têm mais de dez anos de uso e não há peças de reposição no mercado.

Apesar de possuir três posições de controle, no dia 4 de outubro do ano passado, uma posição estava inoperante (houve retirada de peças para suprir a posição da torre) e uma segunda estava em manutenção, restando apenas uma posição em condições de uso. Dessa forma, o órgão operava com risco potencial de interrupção do serviço de vigilância radar, devido à falta de peças de reposição.

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