Tate Modern faz retrospectiva do californiano John Baldessari

Joaquín Rábago. Londres, 13 out (EFE).- A galeria Tate Modern, de Londres, dedica um espaço desta terça-feira até o dia 10 de janeiro para uma retrospectiva as pinturas do californiano John Baldessari, um dos importantes nomes da chamada arte conceitual.

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Sob o título de "Pura Beleza", a exposição começa com alguns trabalhos que sobreviveram à incineração que destruiu boa parte da produção do artista, em 1970, e acaba com uma instalação tridimensional criada especialmente para a ocasião, que combina um enorme cérebro que sai da parede, uma nuvem, uma palmeira, o mar californiano, uma câmara de vídeo e um projetor em velocidade reduzida.

Outro pioneiro da arte conceitual, seu compatriota Joseph Kosuth, negou que pudesse sujeitar-se as criações de Baldessari e a essa corrente artística e as assimilou, por sua ironia e seu humor - derivados sem dúvida do pai de todos eles, Marcel Duchamp - ao pop art e às tiras.

Kosuth insinuava que uma arte tão filosófica como o conceitual não podia ser divertida como são muitas das obras de Baldessari.

Baldessari põe em compêndio as atitudes estéticas do momento em algumas obras dos anos 60, ao se apropriar das formulações de famosos ensaístas como Clément Greenberg para modelá-las diretamente sobre um lenço ou coloca em seus quadros hilariantes instruções aos artistas para terem êxito nas vendas.

"As pinturas em cores claras vendem melhor que as de cores escuras. Temas que vendem bem: Nossa Senhora, crianças, paisagens, as pinturas de flores, as tabernas", reza uma de suas criações do período.

Desde muito cedo, Baldessari (nasceu em 1931) pôs em xeque as noções sobre a autenticidade e a relevância do tema ao pagar pintores para que o copiassem como melhor.

O artista passeou por diferentes suportes como pintura, fotografia e cinema, dispondo as imagens em sequência com o objetivo de despertar diferentes cenários e diferentes narrativas.

Influenciado pela semiótica e o estruturalismo, sobretudo pelo cinema francês da Nouvelle Vague, especialmente o de Jean-Luc Godard Baldessari utilizou muitas vezes em suas obras as técnicas da montagem e recorreu à desconexão entre a imagem e a palavra.

Baldessari joga com as imagens, fazendo combinações ao modo surrealista, para criar todo tipo de gags visuais (espécie de cartum) que suscitam diferentes associações na mente do espectador e demonstram como o significado de uma determinada imagem fotográfica pode mudar totalmente na justaposição com outra.

Alguns desses trabalhos querem chamar a atenção, como a que combina a imagem de um supermercado com prateleiras transbordando.

Pelos corredores das lojas clientes desfilam clientes plenamente satisfeitos junto a cadáveres amontoados sobre um carrinho de mão em um campo de concentração nacional-socialista.

Em meados dos anos 80, Baldessari começou a utilizar fotografias em preto e branco extraídas das seções de sociedade dos jornais locais para ampliá-las e ocultar com grandes círculos coloridos os rostos das pessoas representadas, devolvendo-as assim ao anonimato, técnica que depois aplicou em obras de corpos inteiro.

A retrospectiva de Baldessari, organizada conjuntamente com o Museu de Arte do Condado de Los Angeles (EUA), será levada depois de Londres, ao Museu d'Art Contemporani de Barcelona, onde poderá ser visitada de 5 de fevereiro a 21 de abril do próximo ano.

Junto a Baldessari, a Tate Modern apresentou nesta segunda-feira uma instalação criada para a Sala das Turbinas da Tate, uma antiga central, por Miroslav Balka (1958).

Trata-se de um espaço totalmente claustrofóbico, no qual o espectador perde o sentido da orientação ao entrar no enorme contêiner.

O artista polonês, influenciado pelo Holocausto, batizou a obra com o nome em inglês de "How It Is" (Como É). EFE jr/dm

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