O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que independentemente do resultado das eleições nas cidades que realizam hoje o segundo turno, três partidos saem fortalecidos no plano nacional: PT, PSDB e PMDB, que na sua avaliação são os reis do tabuleiro. Com isso, a disputa política rumo a 2010 sai modificada, pois conta com a presença de um partido forte de centro, o PMDB, o que exigirá, em sua visão, uma definição programática maior dos outros dois pólos deste cenário, o PT e o PSDB.

"Essa definição programática que estes dois pólos vão fazer é que vai trazer ou não o PMDB para um sistema de alianças em direção a 2010", afirmou, ao participar de café da manhã de apoio à candidata do PT à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário.

Tarso defendeu também a adoção de alianças verticais entre partidos para as eleições nacionais e regionais. O ministro disse que o governo preparou projetos da reforma política, que foram preliminarmente apresentados ao Parlamento, mas até o final de novembro passarão por consultas para ganhar versão final. A reforma deverá inverter a lógica que predominou nas últimas eleições nas composições partidárias, avaliou o ministro. "Agora, as regiões desenham suas alianças sem prestar atenção na centralidade da nação", disse. "A reforma política tem que inverter esse processo."

Ele argumentou que a orientação das alianças a partir das realidades regionais produz um "quebra-cabeça" de sustentação política. "Eu sou favorável a coligações que tenham verticalidade", enfatizou. Questionado sobre se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também seria favorável à verticalidade das coligações, o ministro disse que ele considerou boa a proposta, em uma apresentação preliminar, mas recomendou que fosse discutida com todas as forças políticas, inclusive de oposição.

'Programa progressista'

Ao comentar o fato de que tradicionais aliados como PT e PC do B estiveram em lados diferentes em municípios como Porto Alegre, Tarso considerou que as coligações foram formadas a partir da cidade e da região, em vez de considerar uma visão nacional. "É isso que a reforma política tem que proporcionar", declarou, incluindo nela a votação em lista, verticalidade das alianças e financiamento público de campanha.

O ministro defendeu que o PT trabalhe na atração de um pólo de partidos de esquerda, que incluiria PC do B, PSB e PDT, e se dirija rumo ao centro com um "programa progressista", em busca de partidos com o PMDB. Indagado sobre o que conteria este programa, ele resumiu na continuidade do crescimento econômico, aprofundamento da distribuição de renda e proteção de um "projeto nacional" frente à globalização.

Para Tarso, as regiões metropolitanas terão grande influência na definição do quadro político, independente do resultado das eleições. O governo sairá vitorioso com qualquer resultado, segundo o ministro, pois "ninguém se apresentou como oposição para ganhar voto". O ministro avaliou que o ex-governador Geraldo Alckmin "prestou um grande serviço" ao País na disputa presidencial de 2006, mas não sai valorizado do processo eleitoral e evitou comentar se o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), será favorecido pelo resultado na eleição na capital paulista.

Tarso votou pela manhã na zona 160, que fica na região sul da capital. Antes de votar, também participou da campanha de Jairo Jorge (PT) à prefeitura de Canoas, cidade vizinha a Porto Alegre.

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