Tarso: há rumos para encontrar corpos de guerrilheiros

A divulgação dos documentos sobre a repressão à Guerrilha do Araguaia guardados durante 34 anos pelo oficial da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, aumentou a pressão pela busca e pela identificação dos corpos dos guerrilheiros executados pelo regime militar. Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que arquivos existem e que há rumos para encontrar os corpos.

Agência Estado |

"A informação dele (major Curió) demonstra que os arquivos existem e que não é correta a afirmação eventual de que é difícil achar os corpos. Tem um caminho a ser percorrido para encontrar os corpos e encerrar esse capítulo obscuro e violento do País", afirmou Genro.

Para representantes de entidades de direitos humanos, a abertura do arquivo do major Curió força o governo a identificar os restos de corpos retirados em 1996 e 2001 de cemitérios na região de Xambioá, onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Dez restos de corpos esperam por identificação nos armários do Ministério da Justiça. Desde o fim do governo militar (1964-85), a falta de arquivos e de informações oficiais são apontados pelos governos como obstáculos à busca dos corpos dos guerrilheiros e da revelação do que realmente ocorreu durante a repressão à guerrilha.

O secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que a entrevista de Curió deve ser aproveitada para que se corrija o rumo da expedição comandada pelo Ministério da Defesa na busca pelos corpos. Vannuchi quer que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aceite a participação da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, de representantes de familiares e do Ministério Público (MP) na expedição do Exército em busca dos corpos. Vannuchi afirmou que pedirá amanhã a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse sentido.

O ministro Nelson Jobim, que estava em viagem à Europa, comentou a reportagem do Estado . "Toda colaboração com elementos para ajudar na elucidação dos fatos é extraordinária. Nós apoiamos e estimulamos divulgações como essa", afirmou. Documentos do arquivo de Curió contrariam versão militar de que os 67 mortos, dos 256 participantes da guerrilha, estavam de armas na mão quando morreram. De acordo com o arquivo de Curió, 41 foram executados depois que estavam presos e não ofereciam risco às tropas.

Veja também:

Leia mais sobre: Ditadura Militar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG