O ministro da Justiça, Tarso Genro, subiu ontem o Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, depois de assinar um acordo com o prefeito, Eduardo Paes (PMDB), no Palácio da Cidade. O acordo define a liberação de R$ 100 milhões, que serão aplicados em ações como a instalação de 350 câmeras de vigilância na cidade.


As câmeras de vigilância serão instaladas principalmente em pontos turísticos e corredores comerciais do centro, de bairros da zona sul e da Tijuca, na zona norte.

O dinheiro vem do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e deverá ser liberado em até 20 dias. No alto do morro, Tarso disse ao secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, que o Rio não recebia recursos do Pronasci antes de Paes porque havia atrasos nos pedidos. Ele não citou diretamente o ex-prefeito Cesar Maia (DEM).

Os equipamentos gravam as imagens e têm recursos como movimento de 360 graus e alcance de até 1,5 quilômetro. Está previsto um centro de análise das imagens na sede da Guarda Municipal (GM)- 60 guardas serão treinados, segundo o edital de licitação. O cronograma para instalação de todas as câmeras é junho de 2010. A verba também será usada na compra de armamentos não-letais para a GM e na urbanização de onze comunidades, entre elas a Cidade de Deus, na zona oeste.

Muro

No alto do Dona Marta, Tarso conheceu de longe o muro construído pelo governo do Estado na lateral da favela. Para ele, não se trata de um muro. "Pelo que estou informado, não são mais muros, são divisões que vão ter um espaço delimitador, mas não se adotou a tese de fazer um muro de separação física alto, que separa a comunidade de outro espaço", declarou Tarso. "Se tem um muro, o que tem que ver na minha opinião é se foi discutido com a comunidade, se ela decidiu que aquela é uma boa solução. Uma solução demarcatória do território tem que ter origem no bom senso. Mas não conheço especificamente esse processo."

O muro está quase concluído. Tem 3 metros de altura e 650 metros de extensão - objetivo oficial é evitar a expansão da favela rumo à mata. Para o presidente da associação de moradores do Dona Marta, José Mário Hilário, o muro "dá uma ideia de segregação". "Embora tenha sido construído em terreno do prefeito, muro é uma coisa que separa. Mas essa não é a nossa maior preocupação. Queremos saúde, educação, esporte e lazer na favela", disse ele. O Dona Marta está sem a presença ostensiva de traficantes armados desde o fim de dezembro, quando foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no morro, a primeira da cidade. Depois, outras favelas receberam UPPs e muros. "Queremos que o Dona Marta se torne um exemplo para o País", disse Tarso a uma moradora do Dona Marta.

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