SÃO PAULO - O ministro da Justiça, Tarso Genro, rejeitou hoje a ideia ventilada dentro do governo de que a candidatura do deputado Ciro Gomes à Presidência nas eleições de outubro possa fragilizar o desempenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante a campanha. É óbvio que queremos que ele (Ciro) esteja conosco desde o primeiro turno.

Mas eu entendo que isso não implica em fragilização da candidatura de Dilma. Agora, sua presença junto da ministra fortaleceria a candidatura do governo", afirmou Tarso, que lembrou que o deputado foi ministro da Integração Nacional no início da gestão do presidente Lula em 2003.

Tarso, no entanto, ponderou que considera legítima a pretensão de Ciro de concorrer ao Palácio do Planalto e ressaltou que o PT deve respeitar a sua vontade. "Não temos no campo da esquerda um partido monolítico que feche os demais".

Depois de passar por um período de férias fora do país, Ciro retornou nesta semana às atividades legislativas no Congresso e reiterou o desejo de disputar as eleições presidenciais.

Lula pretende conversar com o deputado para tentar convencê-lo a concorrer ao governo paulista para não dividir a base aliada na campanha presidencial. Tarso também comentou que a escolha de Dilma para sucessão do presidente foi feita exclusivamente por Lula.

A decisão, acrescentou o ministro, serviu para pacificar o partido em um momento em que não havia candidatos fortes para a disputa após ter se tornado público o escândalo do mensalão, em 2005.

O ministro ainda negou que falte popularidade e simpatia à Dilma e avaliou que "ninguém consegue ter o mesmo carisma do presidente Lula".

Sobre o impasse em torno do vice, Tarso observou que caberá somente ao PMDB a escolha e assinalou que o PT não deve se manifestar sobre o assunto.

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), é o nome mais cotado no momento. Ele, contudo, tem sido preterido por algumas correntes do PT.

O próprio Lula já manifestou, nos bastidores, as preferências pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Com a intenção de chancelar o nome de Temer, o PMDB adiantou para este sábado a convenção que vai escolher o próximo presidente do partido. Desta forma, espera fortalecer Temer diante do governo.

(Fernando Taquari | Valor)

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