Tarso Genro diz que Forças Armadas não estão aptas a atuar na segurança de cidades

BRASÍLIA - O Ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu na tarde desta terça-feira que as Forças Armadas não estão aptas para tratar da segurança pública nas cidades. Isto comprova uma visão que é do presidente, de que as Forças Armadas não estão aptas para tratar da segurança pública.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |


Como exemplo, o ministro citou o caso ocorrido no Rio de Janeiro no último sábado, quando três jovens teriam sido entregues por soldados do Exército à traficantes de um morro rival. Os jovens apareceram mortos em uma lixeira um dia depois.

Tarso afirmou, no entanto, que no Rio de Janeiro não estava sendo feito um trabalho de segurança pública. Ele disse que os militares apenas tinham o objetivo de dar segurança aos trabalhadores do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O ministro declarou ainda que há contingente suficiente, condição operacional e uma excelente relação com as autoridades de Segurança Pública do Rio para combater a violência.

Ele ressaltou ainda que o ocorrido é absolutamente lamentável. "Este fato é altamente negativo e as Forças Armadas vão tomar todas as providências para punir estes responsáveis".

Exército vai rever ocupação

Após reunião com líderes comunitários do Morro da Providência nesta terça-feira, o Exército informou que vai reduzir o número de militares responsáveis pela segurança das obras do projeto Cimento Social, do Ministério das Cidades.

Agência Estado
General se desculpa por morte de garotos
O Exército também vai decidir, até a próxima quinta-feira, se mantém a ocupação na localidade. Os funcionários da obra, que haviam paralisado as atividades em decorrência da morte de três jovens da comunidade, vão retomar os trabalhos em caráter emergencial.

O anúncio foi feito pelo comandante da 9ª Brigada de Infantaria, general Mauro Cesar Cid - que pediu desculpas às famílias dos jovens assassinados por traficantes do Morro da Mineira, na zona norte.

Militares prestarão depoimento

Oito militares ¿ seis soldados e dois sargentos - serão ouvidos pelo delegado Ricardo Dominguez, nesta terça-feira, no 1ª Batalhão de Polícia do Exército, localizado na Tijuca, zona norte. Eles iriam à unidade policial, mas prestarão depoimento no Exército por medida de segurança. Dominguez espera esclarecer a participação de cada um dos 11 indiciados, que estão presos administrativamente.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Nesta segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

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