Tarso evita se manifestar sobre greve da polícia em SP

Reunido com representantes de seis centrais sindicais, o ministro da Justiça, Tarso Genro, reconheceu a legitimidade do movimento reivindicativo dos policiais civis de São Paulo, disse que não iria interferir na crise para não criar uma fricção federativa, mas prometeu se empenhar em três tarefas: tentar agendar com o governador José Serra (PSDB) uma mesa de negociações para o próximo dia 29; acelerar no Congresso Nacional a votação do projeto com o plano de carreira das polícias; e finalizar as negociações para fechar uma proposta de projeto de lei para criar a aposentadoria especial dos policiais. A greve da Polícia Civil de São Paulo já dura 37 dias, resultando em um confronto entre policiais civis e militares na quinta-feira, com 29 feridos, nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, zona sul da capital paulista.

Agência Estado |

O risco de radicalização do movimento foi relatado hoje ao ministro por dirigentes de seis centrais sindicais e representantes da categoria.

Os policiais se queixaram de que recebem os salários mais baixos do Brasil, com piso de R$ 2.300, e que estão sem reajuste há 14 anos. Alegaram também intransigência do governo, que se recusaria a negociar desde janeiro, e acusaram Serra de "truculência". O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, botou sobre a mesa do ministro cartuchos de balas de verdade, que ele disse terem sido disparados durante o confronto entre policiais civis e militares.

Tarso disse que só se manifestaria sobre a crise paulista se o governador José Serra (PSDB) pedisse. "Só vou me manifestar se o governo do Estado pedir minha opinião. Do contrário, meu contato não seria bem recebido", disse ao final da reunião com os sindicalistas. Avaliou que uma intervenção federal, medida que só pode ser requerida pelo Ministério Público diante de grave ameaça à ordem, está inteiramente fora de cogitação.

O ministro foi avisado de que a nova proposta para fim da greve, enviada ontem pelo governador à Assembléia Legislativa paulista, deve ser rejeitada e que o movimento será ampliado com novas manifestações com potencial de conflito.

"Esperávamos uma ação mais efetiva do ministro para pôr fim ao impasse e abrir já um canal de negociação porque o governador está irredutível", lamentou o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia, João Batista Rebouças. "A greve continua", avisou, referindo-se à nova proposta do governo paulista de 6,5% de reajuste em 2009, cumulativo com mais 6,5% em 2010.

A categoria pede 15% já, mais 12% em 2009 e 12% em 2010. "A proposta é insuficiente e a base vem se manifestando pela rejeição", acrescentou. Ele disse que a proposta será votada em assembléia a ser convocada amanhã ou quinta-feira.

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