Tarso defende Polícia Federal e diz que ela ¿não prende sem necessidade¿

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, fez nesta quinta-feira um desagravo à Polícia Federal (PF), que sofreu críticas pela forma como prendeu suspeitos na Operação Satiagraha, destinada a investigar crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha e que levou às prisões do banqueiro Daniel Dantas, solto mediante habeas corpus, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, entre outros.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

  • Presidente do STF evita comentar nova prisão de Dantas
  • Nova prisão tem tanta solidez quanto a decisão do STF, diz Tarso
  • Provas do suborno levaram a pedido de prisão preventiva, diz MPF
  • Acusação de suborno preocupa advogados de Dantas, diz jornal
  • Entenda a operação Satiagraha da Polícia Federal
  • Saiba quem são os investigados na Operação Satiagraha
  • Saiba quem são Naji Nahas, Daniel Dantas e Celso Pitta

    Genro disse que a PF não prende sem necessidade e que tem orgulho da corporação, mas evitou criticar a soltura de 11 presos, concedida na noite de quarta-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes ( saiba mais aqui ).

    Os elogios do ministro da Justiça à PF foram feitos em um evento na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, onde Genro discursou para autoridades policiais de outros países e mandou um recado sutil aos críticos da instituição dizendo que um regime democrático não sobrevive sem uma polícia comprometida com o Estado de Direito e com o combate à corrupção.

    Tenho orgulho da Polícia Federal por sua retidão, postura republicana e respeito aos direitos humanos, aos direitos civis e individuais, afirmou o ministro perante as autoridades estrangeiras.

    Depois do evento, Genro classificou o discurso como um prestigiamento à ação da PF e não um desagravo. Estamos em um momento importante do País em que não há mais intocáveis. Antes, alguns privilegiados estavam acima da cidadania, eram considerados intocáveis, comentou.

    AE
    Daniel Dantas ao deixar a sede da PF em São Paulo na madrugada de hoje
    Daniel Dantas ao deixar a sede da PF em São Paulo na madrugada de hoje

    O ministro preferiu não criticar os habeas corpus concedidos pelo STF a 11 presos da Operação Satiagraha, mas disse que, se houver cobranças e críticas da sociedade, não é a PF que tem que responder. Isso [os habeas corpus] não compromete o trabalho da Polícia Federal. É um direito que o presidente do STF tem, mas as explicações à sociedade são uma função para a imprensa [cobrar], ressaltou o ministro, que depois rechaçou especulações de que as prisões efetuadas na Operação Satiagaha e outras tenham sido desnecessárias.

    A PF não prende sem necessidade. Não são prisões arbitrárias. Não há nenhum ato arbitrário e não há nenhum tipo de festejamento por fazer prisões, mas, algumas vezes, são necessárias, argumentou Genro. Em casos como a Operação Satiagraha, acrescentou ele, as prisões são estratégicas, porque os suspeitos são poderosos e podem interferir nos procedimentos dos inquéritos abertos, incluindo a destruição de provas.

    Leia também:


    Leia mais sobre: PF

    • Leia tudo sobre: pf

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG