Tarso coloca Polícia Federal à disposição da Justiça Eleitoral do Rio

RIO DE JANEIRO - O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quinta-feira que a Polícia Federal está à disposição da Justiça Eleitoral do Rio para investigar possíveis interferências de milícias e de quadrilhas do tráfico de drogas nas campanhas eleitorais da capital fluminense.

Redação com Agência Brasil |


A Polícia Federal está à disposição do Tribunal Regional Eleitoral para fazer as investigações que forem necessárias, disse o ministro, após reunião na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio. Mas tem que haver um pedido expresso das autoridades para que isso ocorra, completou.

Hoje pela manhã, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, pediu que a PF i nvestigasse ameaças de grupos paramilitares contra eleitores do Complexo do Alemão, na zona norte, e da Rocinha, na zona sul.

A Polícia Civil do Rio já apura intimidações a moradores e o constrangimento a candidatos, impedidos de fazer campanhas políticas em áreas dominadas por quadrilhas.

Candidata barrada

No dia seis de julho, a candidata a vereadora pelo PT, Ingrid Gerolimich, foi impedida de realizar campanha política na favela da Rocinha, na zona Sul do Rio. Segundo a candidata, ela foi barrada porque os traficantes do local já escolheram os candidatos que querem no poder.

"No dia 6 de julho iríamos lá, mas recebemos recado dos moradores de que não poderíamos entrar, pois o tráfico não queria", disse.

Ingrid relatou também que sua equipe foi informada de que eles não podem fazer campanha política na favela do Rio das Pedras, em Jacarepaguá. A candidata disse que protocolou um ofício na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) denunciando o caso e solicitando escolta.

"Quero que o ofício se estenda também aos outros candidatos, pois isso fere nosso direito de ir e vir", afirma. "Se não formos do tráfico ou das mílicias não teremos chance?!", questiona.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública enviou nota oficial em que diz que o procedimento correto de qualquer candidato que se sinta ameaçado é registrar queixa na delegacia.

"Posteriormente, ele deve recorrer ao TRE que garantirá, mediante necessidade de reforço policial ou não, o direito de fazer campanha em qualquer área pública. Até o momento, a Secretaria de Segurança sabe de declarações relativas a estes fatos, porém não foi informada de nenhum registro formal de fato semelhante em delegacia", diz a nota.

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