Tarantino desembarca em Cannes com exército de estrelas

Mateo Sancho Cardiel. Cannes (França), 20 mai (EFE).- Quentin Tarantino, o enfant terrible do cinema americano e ícone do Festival de Cannes, desembarcou na cidade com uma tropa de estrelas internacionais, comandada pelo ator Brad Pitt, para apresentar Inglorious Bastards, sua desenfreada e irregular aproximação com o cinema bélico.

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O diretor desempoeira mais uma vez seu amplo leque de influências - do cinema clássico às séries Z - para seu filme mais internacional e mais longo - 148 minutos -, embora tenha sido recebido pela imprensa com menos entusiasmo que o esperado.

"Inglorious Bastards" é uma remontagem de "Quel Maledetto Treno Blindato" (1978), de Enzo Castellari, e retoma a história de um desnorteado comando americano que chega à França ocupada por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial para acabar com os nazistas.

A partir daí, qualquer coincidência com a realidade histórica é pura coincidência. "Não classificaria o filme exatamente como uma fantasia judaica. Essa não seria a prateleira da locadora na qual eu o colocaria", disse Tarantino.

"É simplesmente a história de uns personagens que, se realmente tivessem existido, poderiam ter mudado o rumo da história", afirmou o diretor. "Não por sua coragem, claro, mas mais por sua imprudência e suas heresias." No longa, esses personagens planejam um atentado contra a alta cúpula do nazismo dentro de um cinema parisiense.

"É uma metáfora sobre o poder do cinema. Mas, por outro lado, demonstra o poder do cinema sem nenhum tipo de metáforas", disse o cineasta, fazendo um trocadilho sobre o cinema como linguagem e o cinema como sala de projeção.

Apesar de contar com estrelas como Brad Pitt, Michael Fassbender - que também concorre em Cannes com "Fish Tank", de Andrea Arnold -, Diane Kruger e Mike Mayers, todos eles presentes na cidade, o ator alemão Christoph Waltz, que interpreta um coronel nazista, é o dono dos melhores diálogos e, por conta disso, arrancou aplausos em Cannes.

"Precisava de um grande ator que fosse ao mesmo tempo um gênio das línguas. E demorou tanto para encontrá-lo que estive a ponto de simplesmente imprimir o roteiro e passar para outro projeto", disse o diretor de "Reservoir Dogs", uma das estréias mais impactantes dos últimos tempos no cinema americano.

Apesar das licenças históricas, Tarantino foi muito rigoroso com os idiomas falados no filme. "Dá gosto trabalhar em um filme no qual os alemãs são alemães, os franceses são franceses, os americanos são americanos e os britânicos... são canadenses", brincou Brad Pitt.

A presença da estrela de Hollywood, com seu pomposo look a la Great Gatsby - camisa branca, terno cor de baunilha e gravata, além de óculos escuros com a haste dourada e um grande anel no dedo - não pôde ofuscar, no entanto, o divertidíssimo magnetismo de Tarantino.

Depois de Von Trier afirmando ser "o melhor diretor do mundo", o desfile de egocentrismo seguiu de forma menos arrogante e mais simpática com o ganhador da Palma de Ouro por "Pulp Fiction" (1994) afirmando que, em seus filmes, ele é "Deus, o que cria e ama os personagens".

Para aqueles que realmente o consideram Deus, o filme proporcionará muitos momentos de diversão: está dividido em capítulos, alguns deles magnificamente redondos e outros mais irregulares; tem diálogos absurdos em situações sérias e legendas em amarelo, para imitar as antigas fitas VHS.

E o "tanrantinismo" continua. A trilha sonora não é original e repleta de momentos épicos roubados de "O Álamo" ou de David Bowie.

Além disso, algumas cenas são excessivamente longas.

Indicado a vários prêmios, "Inglorious Bastards" é um exemplo da excentricidade mais tola, como "Death Proof", sem deixar de ser agradável.

Isabelle Huppert, presidente do júri, se recusou a participar do filme. E é pouco provável que o que não lhe convenceu a aceitar o papel a conquiste agora nas telas.

"Em todo caso, eu sempre serei seu fã número um. Meu sonho como cineasta é fazer algo como 'A porta do Céu'", protagonizado por Huppert e um dos grandes fracassos da história do cinema, concluiu o irreverente Tarantino. EFE msc/pg/sc

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