NOVA YORK ¿ Mais de 15 anos depois de dirigir O Piano, a cineasta neozelandesa Jane Campion ganhou elogios de um fã inesperado ao lançar um novo filme que celebra a paixão e a poesia.

"Bright Star," que estreia nos EUA na sexta-feira, conta a história do relacionamento do poeta romântico britânico John Keats, que morreu aos 25 anos de idade no século 19, com Fanny Brawne.

O filme tem recebido excelentes críticas, mas Campion disse ter ficado particularmente tocada com uma carta cheia de elogios vinda do colega norte-americano Quentin Tarantino - um mestre em retratar a violência, mas não em fazer filmes de época.

"Era realmente uma carta de amor ao filme," disse ela em entrevista nesta semana à Reuters. "Estou realmente tocada. Ele é um dos meus maiores heróis da atual geração, acho que ele é um gênio, então foi surpreendente."

Campion disse que Tarantino também lhe contou que se inspira em sua na capacidade de fazer filmes intimistas capazes de chegar ao grande público.

A imprensa - inclusive a revista Variety e o jornal The New York Times - também se derramaram em elogios ao novo filme de Campion, e muitos críticos disseram que "Bright Star" poderá disputar vários Oscars.

Não se trata de uma cinebiografia de Keats, e sim de uma abordagem do amor juvenil entre Keats, vivido pelo britânico Ben Whishaw, e Brawne, interpretada pela australiana Abbie Cornish.

Campion, que vive na Austrália, admitiu que "Em Carne Viva," seu último filme, lançado há seis anos, "foi espetacularmente mal na América," e disse manter um saudável ceticismo a respeito de Hollywood.

"Nós na Austrália nunca levamos os norte-americanos a sério. Eles são ótimos para elogiar, mas quando se trata de colocar dinheiro, você não vê. É muito diferente dos europeus, que são muito contidos no que têm a dizer mas colocam dinheiro (para os filmes)."

Campion, 55 anos, já ganhou um Oscar de melhor roteiro e foi uma das três únicas mulheres a serem indicadas à categoria de melhor diretor.

"Não é por as mulheres serem incapazes, elas podem fazer filmes fantásticos," afirmou, descrevendo o Oscar como "um jogo" do qual deseja participar para divulgar sua obra.

Indagada sobre o que é necessário para fazer um filme como os dela, Campion responde com um sorriso: "Não sou muito submissa. Não tenho medo, não penso, 'Ah, isso vai fracassar, isso vai ser horrível', nem penso nisso. Só é preciso ter um grau a mais de inspiração do que de medo."

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