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Há poucas evidências de que o medicamento oseltamivir (nome comercial Tamiflu), usado contra a gripe, consiga impedir complicações em pessoas saudáveis que contraem a doença sazonal, concluiu um grupo de especialistas independentes em artigo publicado ontem na respeitada revista científica British Medical Journal (BMJ). A Roche, fabricante do remédio, não disponibilizou ao público parte dos estudos realizados, alertaram ainda os cientistas, que mostram que o medicamento apenas reduz em um ou dois dias os sintomas.

O trabalho aumenta a polêmica sobre se vale a pena os governos investirem grande quantidade de recursos públicos na compra da droga durante epidemias de gripe e sobre os seus riscos. "Governos gastaram bilhões de dólares num remédio que a comunidade científica se vê agora impossibilitada de avaliar", disse Fiona Godlee, editora da BMJ.

Em setembro deste ano, outro painel de especialistas, este a serviço do governo inglês, também questionou, em artigo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, o valor clínico da medicação e de sua concorrente, o zanimivir (Relenza), destacando que era melhor investir em vacinas. Não concluiu, porém, sobre o efeito em relação às complicações, mas sobre a redução de sintomas da gripe. No Brasil, um estudo preliminar do governo do Rio Grande do Sul também questionou a eficácia em pacientes graves.

O grupo independente responsável pelo novo estudo é vinculado à Colaboração Cochrane Review, organização não governamental que revisa informações de saúde. Na análise, foram considerados artigos já publicados e que avaliaram o uso do Tamiflu contra a gripe sazonal em adultos saudáveis. Segundo os especialistas, as conclusões também trazem dúvidas sobre o uso da droga contra a gripe suína. "O estudo não mudará nossas recomendações", disse Charles Penn, expert da Organização Mundial de Saúde (OMS). As informações são do Jornal da Tarde.

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