Tailândia escolhe novo premiê, que já enfrenta protestos

Por Chalathip Thirasoonthrakul BANGCOC (Reuters) - O líder oposicionista Abhisit Vejjajiva se tornou nesta segunda-feira o terceiro primeiro-ministro da Tailândia em três meses. O novo premiê, eleito por escassa maioria no Parlamento, terá de governar um país à beira da recessão e marcado pelos violentos protestos das últimas semanas.

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Num sinal das dificuldades políticas para esse economista formado em Oxford, 200 seguidores do governo anterior, destituído pela Justiça há duas semanas, bloquearam o acesso ao Parlamento depois da votação que o elegeu. Carros que transportavam deputados do Partido Democrata, de Abhisit, tiveram vidros quebrados.

Vestindo camisas vermelhas, os manifestantes acusavam o novo premiê, de 44 anos, de ser um "indicado do Exército". Os militares deram um golpe de Estado em 2006 e desde então são acusados de interferências políticas.

Abhisit tem recebeu a indicação de 235 parlamentares, com o apoio de pequenos partidos e de uma facção do Puea Thai, ex-partido de Thaksin Shinawatra, o premiê deposto em 2006 que desde então é acusado de interferência no governo.

O antigo governo recebeu 198 votos, e pode ter maioria do Parlamento a partir de 11 de janeiro, quando serão escolhidos os substitutos de 29 deputados cassados pela Justiça neste mês.

Mesmo que sobreviva, o novo governo terá dificuldades para recuperar o país. O importante setor turístico foi afetado pelas manifestações políticas que deixaram o aeroporto internacional de Bangcoc interditado durante uma semana. Além disso, a Tailândia começa a sentir fortemente os efeitos da crise global.

"Muito em breve, o impacto da crise econômica global será sentido mais seriamente na Tailândia. O novo primeiro-ministro precisa se preparar imediatamente para isso", disse Sompop Manarungsan, da Universidade Chulalongkorn, em Bangcoc.

Suchart Thada-Thamrongvech, ministro das Finanças no governo que deixa o poder, previu que a economia deve encolher de 0,5 a 1 por cento no primeiro trimestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008. Para o segundo trimestre, a previsão dele era de crescimento zero. Pela definição dos economistas, isso significaria que o país está à beira de uma recessão.

"Não há novas reservas. Você vai aos hotéis e eles estão vazios", disse Luzi Matzig, diretor-gerente da agência de turismo Asian Trails, relatando os efeitos da interdição dos aeroportos e da crise econômica.

Segundo ele, seus negócios em dezembro na Tailândia ficaram 50 por cento abaixo do que foi registrado um ano antes.

Na semana passada, Abhisit prometeu priorizar a retomada do crescimento, por meio de investimentos públicos -- cuja origem ainda não está clara. Ele sugeriu que poderia realocar gastos das regiões, o que no entanto deve desagradar às populações do norte e nordeste do país, onde ainda há muita idolatria por Thaksin e ódio por Abhisit.

Falando a jornalistas imediatamente depois da votação, o premiê disse que só vai detalhar propostas depois de ser formalmente empossado pelo rei Bhumibol Adulyadej.

(Reportagem adicional de Nopporn Wong-Anan e Darren Schuettler)

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