Tai Chi Chuan traz benefícios para a memória, aponta estudo

A maioria das pessoas pode estar de olho na China pelos Jogos Olímpicos, mas a comunidade médica também está voltada para o Oriente e, cada vez mais, utiliza as técnicas milenares como alternativa para os tratamentos de saúde convencionais. Com a invasão da acupuntura e massagens terapêuticas nos hospitais, cientistas se debruçaram sobre o tema e agora trazem pesquisas que comprovam a eficácia da tradição chinesa.

Agência Estado |

Entre esses estudos destacam-se os benefícios do Tai Chi Chuan para a memória.

Realizado recentemente pelo Ambulatório da Memória do Idoso do Hospital das Clínicas, na capital paulista, em parceria com a Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan, a conclusão, após três meses de análise, é de que a prática desta espécie de ginástica, que movimenta em câmera lenta todas as partes do corpo, traz benefícios para a memória da terceira idade e pode ser, inclusive, uma forma de prevenção do tão temido Alzheimer (doença que compromete o cérebro, conhecida pelos freqüentes esquecimentos).

Foram acompanhadas 26 mulheres com mais de 60 anos, sedentárias por pelo menos um ano. O critério de seleção era apresentar algum grau de dificuldade de memorização. Divididas em dois grupos, metade praticou o Tai Chi Chuan duas vezes por semana, durante 90 dias. A outra turma não. A conclusão do ensaio trouxe mais um ponto para o placar de medicina chinesa. No final do estudo, as idosas que participaram as aulas apresentaram três vezes menos queixas de falhas na memória, além de melhora significativa na condição física.

"Ainda faltam pesquisas, mas os estudos já realizados comprovam o que a gente percebe nas aulas", diz a presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi, Ângela Soci. As evidências de que as técnicas orientais agradam aos adeptos estão no número de atendimentos. Nos 19 hospitais estaduais que oferecem acupuntura, por exemplo, são 16,7 mil pacientes cadastrados, que recebem o tratamento das "agulhas" em pontos estratégicos.

Além da vantagem do tratamento ser gratuito, misturar a medicina chinesa ao tratamento padrão traz um pouco mais de conforto para os usuários do Sistema Único de Saúde. No ambulatório público Várzea do Carmo, no centro de São Paulo, onde as sessões de acupuntura dobraram em um ano, passando de 687 em julho de 2007 para 1.230 em junho deste ano, a técnica é oferecida para doentes graves. "As sessões beneficiam principalmente os pacientes que têm dor crônica, doenças reumáticas e câncer", afirma a diretora da unidade, Justina Amélia Miguel.

Alternativa

No Hospital e Maternidade Interlagos, em São Paulo, as agulhas são utilizadas nas gestantes que fazem pré-natal para melhorar os enjôos e náuseas. Os tratamentos alternativos também ganharam espaço nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), administradas pela Secretaria Municipal de Saúde.

Só ano passado, foram 74.069 consultas de acupuntura, 30.636 de homeopatia e já em 2008 foram formados em UBSs 774 grupos de Tai Chi Chuan, meditação e ioga. O reconhecimento dos serviços públicos de saúde sobre o tratamento é comemorado pelos especialistas da Sociedade Paulista de Acupuntura e Homeopatia, por permitirem que todos os pacientes, independentemente da classe social, tenham acesso às técnicas.

Fernanda Aranda

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