Tai Chi Chuan na água? É o Ai Chi

Tai Chi Chuan na água? É o Ai Chi Por Fabiana Caso São Paulo, 27 (AE) - Amor-energia. Este é o significado literal da expressão Ai Chi, que dá nome ao método criado pelo japonês Jun Konno, especialista em Educação Física.

Agência Estado |

Bastante difundido no Japão, Europa e Estados Unidos, aos poucos, o Ai Chi ganha mais adeptos no Brasil. Trata-se de uma seqüência de movimentos lentos e contínuos, feitos dentro de uma piscina aquecida, e combinados a técnicas de respiração. Segundo adeptos, a prática relaxa, ajuda a minimizar o estresse e dores, aumenta o equilíbrio e faz a energia circular pelo corpo. De quebra, pode combater a insônia.

Jun Konno batizou o método em homenagem à sua filha, que se chama Ai (amor) e é portadora de deficiência. A base para os movimentos vem do Tai Chi Chuan e um dos objetivos é fazer a energia vital circular pelos meridianos do corpo - um dos principais é o que passa ao redor do coração. "Quando sentimos emoções negativas, como raiva, a tendência é enrijecer essa região peitoral. E a energia acaba sendo bloqueada", explica o preparador físico e diretor da Aquabrasil, em São Paulo, Marcelo Roque, que costuma usar o Ai Chi como parte das aulas de hidroginástica.

Quem trouxe a técnica para o Brasil foi o professor de Educação Física, especializado em modalidades aquáticas, Paulo André Poli de Figueiredo. Ele reside em Porto Alegre, mas foi até Poços de Calda, Minas Gerais, para participar de uma oficina ministrada pelo próprio Jun Konno. Apaixonou-se pelo tema e foi mais longe: fez um curso de formação em Ai Chi nos Estados Unidos. A partir de então, começou a difundir a modalidade no Brasil com palestras e cursos para professores. Chegou a escrever um livro didático: "Ai Chi, Técnica de Relaxamento Aquático". "Sou elétrico e essa técnica me complementa", fala. "A idéia principal do Ai Chi é estimular os meridianos, bases por onde a energia flui. A prática é indicada para quem tem dificuldades respiratórias, tensão, disfunção muscular, estresse."

Entre os benefícios, cita o aumento da circulação sanguínea, ganho de mobilidade articular e melhora do metabolismo. "É um ótimo exercício para gestantes, porque equilibra a postura e proporciona bem-estar."

Em Porto Alegre, Paulo é proprietário da academia de fitness Acqualitá, onde utiliza o método como parte da aula de hidroginástica. "Os alongamentos podem ser substituídos pelo Ai Chi, que trabalha com a amplitude e melhora a flexibilidade." Segundo ele, a prática proporciona bem-estar. "As pessoas saem da piscina mais calmas: até o tom de voz muda."

PREVENÇÃO
O Ai Chi também tem sido usado para a reabilitação e prevenção. Essa é a aposta, por exemplo, da fisioterapeuta Márcia Cristina Bauer Cunha, doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora da Universidade Ibirapuera. Márcia conheceu o método quando fez um workshop em Londres. Inicialmente, começou a aplicar a técnica em pacientes do setor neuromuscular da Unifesp. "Na água, sem fazer força, conseguiam se movimentar melhor. O Ai Chi fortaleceu os músculos e aumentou a mobilidade dos praticantes", conta.

Na clínica da Universidade Ibirapuera, a fisioterapeuta emprega o método com finalidade preventiva. Além dos benefícios já citados, ela lembra que o Ai Chi promove um melhor equilíbrio do corpo, remédio contra as quedas - um dos piores inimigos da velhice. "Melhora também a coordenação motora." Para alcançar bons resultados, acrescenta, o ideal é praticar pelo menos duas vezes por semana, em sessões de 45 minutos cada.

Uma das praticantes de Ai Chi é Djanira Bezerra Martins, de 62 anos, que tem tendinite decorrente de trabalhos manuais. "Há uns dez anos, não conseguia dormir bem. Acordava com a mão doendo, formigando", conta. Hoje, pratica duas vezes por semana. "A água dá suporte para eu fazer exercícios que não conseguiria realizar no chão. Não sinto dor nenhuma, e me faz muito bem." Djanira conseguiu obter maior equilíbrio, amenizar a dor e melhorar a qualidade do sono.

Elenita Neves Voltarel, de 60 anos, que trabalha como auxiliar administrativa, também se beneficiou do Ai Chi. Há cinco anos, tem artrite, com períodos críticos de dor. "Os exercícios fortaleceram meus músculos: ganhei mais flexibilidade e mobilidade", comenta. "Também melhorou meu equilíbrio. Quero estar bem aos 70, 75 anos."

Apesar de as mulheres serem maioria nas aulas, também há homens. O aposentado Waldir Rodrigues Lima, de 68 anos, já pratica o método há quase um ano e meio. Sofria de uma dor no pescoço, que atingia a coluna e não o deixava dormir bem. "As dores diminuíram e estou até me alimentando melhor", conta. "A circulação também melhorou."

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