Suspeitos de envolvimento com milícia são transferidos para presídio de Campo Grande

RIO DE JANEIRO ¿ Dez pessoas suspeitas de terem envolvimento com a milícia ¿Liga da Justiça¿, que atua na zona oeste do Rio, foram transferidas nesta quinta-feira do presídio Bangu 8 para o presídio de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Entre os presos estão o deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB). Eles são tidos pela polícia como os líderes do grupo armado.

Redação |

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De acordo com informantes, os detentos deveriam ser levados para a penitenciária de Catanduvas, no Paraná. No entanto, a secretaria estadual de Segurança manteve o destino dos suspeitos sob sigilo, por motivos de segurança. O embarque aconteceu nesta tarde na base aérea do Galeão, na Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Para o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a transferência foi solicitada com o objetivo de cortar os vínculos entre os criminosos que estão dentro do sistema (penitenciário) com os seus representantes fora.

O que queremos é exatamente retirarmos daqui milicianos que, sem dúvida nenhuma, são um câncer que nós temos aqui. A maneira que temos de estiparmos, ou no mínimo enfraquecê-los, é afastando-os da proximidade de seus negócios, disse.

Liga da Justiça

Nos últimos meses, a polícia do Rio vem concentrando suas forças para desarticular a ações da milícia Liga da Justiça. Na semana passada, a Polícia Federal indiciou onze integrantes do grupo armado por lavagem de dinheiro e extorsão. De acordo com o relatório da PF, os indiciados possuem patrimônios com um valor dez vezes maior do que o declarado à Receita.

Segundo investigações, os bens foram adquiridos com a renda gerada pela exploração de transporte ilegal, TV a cabo pirata, segurança clandestina e venda de gás. Entre os indiciados estão Natalino, Jerominho e o vereador recém-eleito Cristiano Girão (PMN).

No dia 27 de outubro, o ex-policial militar Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, fugiu do presídio de Bangu 8. Ele é tido como o principal matador da milícia Liga da Justiça. De acordo com denúncias, a fuga teria custado cerca de R$ 2 milhões, que foram rateados entre os integrantes do grupo armado.

Na última sexta-feira, durante uma sessão na Alerj, o secretário estadual de Administração Penitenciária, César Rubens Monteiro de Carvalho, admitiu que as câmeras da penitenciária estavam desligadas quando Batman fugiu. O ocorrido só foi notado 24 horas depois, durante a contagem dos presos.

O ex-PM saiu pela porta da frente do presídio escoltado por dois homens com uniformes do Grupo de Intervenções Táticas (GIT). O detento deixou Bangu 8 em um Palio branco e seria  levado a um oftalmologista no Hospital Central Penitenciário, também no Complexo de Gericinó.

Em agosto, a então candidata a vereadora Carminha Jerominho (PTdoB), filha de Jerônimo Guimarães, foi presa com outras seis pessoas em uma operação da PF. As investigações mostraram que integrantes da milícia Liga da Justiça estavam coagindo moradores da zona oeste do Rio, caso eles não votassem na candidata.

Ela foi levada para o presídio de Catanduvas, no Paraná, e, nas últimas eleições, mesmo presa, Carminha foi eleita vereadora com 22.049 votos. Atualmente, ela responde o processo em liberdade.

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