Suspeitos de atirar casal em encosta teriam cometido outros 3 crimes na mesma noite

RIO DE JANEIRO - Os quatro suspeitos de terem roubado e atirado o casal Marcelo Viana, de 43 anos, e Paula Barreto, de 31, em uma encosta teriam cometido ao menos outros três crimes na mesma noite, de acordo com informações da 14ª DP (Leblon). A polícia também suspeita que dois deles sejam os responsáveis por um roubo no bairro do Flamengo, no último dia 1º de março.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

De acordo com policiais, Viana e Paula foram rendidos após um jantar na Lagoa, roubados, agredidos e empurrados em uma encosta da avenida Niemeyer na madrugada desta quarta-feira. Já no final da noite de quarta, a polícia prendeu os quatro suspeitos do caso.

Futura Press

Encosta na avenida Niemeyer de onde o casal foi empurrado pelos assaltantes

Eles foram ouvidos pela titular da 14ª DP, Tércia Amoêdo, tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada e já estão na detenção. O próximo passo da investigação será ouvir as vítimas dos outros crimes que eles teriam cometido. A expectativa da delegada é que eles possam reconhecer os suspeitos.

As prisões aconteceram após eles terem sido espancados por supostos traficantes da favela da Rocinha, onde moravam. Eles chegaram a ficar internados no Hospital Municipal Miguel Couto. A polícia desconfia que a surra teria sido em razão da repercussão do caso, que fez com que a polícia passasse a madrugada desta quarta e o dia na Rocinha.

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Os quatro suspeitos foram apresentados na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon

Segundo Tércia Amoêdo, que esteve à noite no hospital, eles confessaram a participação no assalto. "Conversei com dois deles e foi feita a confissão. Os dois que ouvi disseram que não participaram das agressões, mas tudo só será esclarecido amanhã (hoje), com o testemunho e reconhecimento que será feito pelo casal", afirmou.

Prisões

Três dos suspeitos foram capturados por soldados do 23º BPM (Leblon) em frente a um supermercado em São Conrado. O quarto homem foi preso em frente à unidade de saúde, onde ele buscara assistência médica. Uma denúncia anônima ajudou a polícia a encontrar os suspeitos.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, dois dos presos têm passagem pela polícia. Thiago Faustino Apolinário dos Santos, de 20 anos, já foi preso por roubo e Antônio Manuel Carvalho Ribeiro, 33, tem cinco anotações em sua ficha criminal por furto. Os outros dois, Alexandre dos Santos e Willson Alves da Silva, ambos de 19 anos, não têm passagem pela polícia.

O caso

De acordo com a polícia, o empresário e advogado Marcelo Viana, de 43 anos, e a namorada, a publicitária Paula Barreto, de 31, relataram que foram rendidos por criminosos após jantarem em um restaurante na avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa. Quando já estavam dentro de seu carro, um Audi, eles foram abordados por quatro assaltantes a bordo de uma picape importada. Marcelo e a namorada saíram do veículo, mas os bandidos pediram para o casal retornar ao automóvel.

Segundo o casal, os criminosos queriam ir à casa das vítimas para assaltá-las. O advogado, que mora na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, disse aos bandidos que morava em Ipanema, zona sul, para despistá-los. Durante o trajeto, Marcelo disse ter sido agredido duas vezes com coronhadas na cabeça, enquanto Paula teve uma arma apontada para seu rosto. Percebendo que estavam sendo enganados, os assaltantes levaram o casal para a avenida Niemeyer, próximo à entrada para a favela do Vidigal.

Lá, os bandidos pararam o carro, mandaram as vítimas saltarem do veículo e subirem em uma mureta que divide a via da encosta. O casal começou a ser chutado e caiu no barranco. Machucados e presos a pedras e plantas, Marcelo e Paula gritaram por socorro e acabaram sendo ouvidos por policiais militares do 23º BPM (Leblon) que passavam pelo local e os salvaram.

Soldados do mesmo batalhão realizaram buscas pela região e encontraram o Audi roubado abandonado próximo à entrada para a favela da Rocinha. De acordo com a delegada titular da 14ª DP, Tércia Amoêdo, o automóvel só foi largado porque estava com as rodas danificadas e várias partes amassadas. Ela acredita que, se o carro não estivesse quebrado, os assaltantes teriam subido a favela da Rocinha com o veículo. Ainda no dia do crime, os quatro suspeitos foram presos.

(*com reportagem de Anderson Dezan, do Último Segundo)

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