Suspeitos de assassinar jovem em Guarulhos vão a júri

SÃO PAULO - O julgamento dos três suspeitos de terem violentado e assassinado Vanessa Batista de Freitas, de 22 anos, em Guarulhos, na Grande São Paulo, em 2006, teve início às 9h da manhã desta terça-feira, no Fórum Criminal de Guarulhos. Os policiais envolvidos na investigação do crime e as testemunhas são os primeiros a serem ouvidos pelo juri.

Redação com Agência Estado |

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Os três acusados pelo assassinato, o ex-companheiro da jovem Renato Correia de Brito, William César de Brito Silva e Wagner Conceição da Silva, prestarão depoimento em seguida. O julgamento deve se estender ao longo do dia e ser concluído apenas na quarta-feira.  

A família de Vanessa contratou um assistente de acusação para atuar no júri. O criminalista Eugênio Malavasi vai sustentar que os três são culpados pelo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), apesar da suposta confissão de Leandro Basílio Rodrigues, de 19 anos, chamado pela polícia de "Maníaco de Guarulhos".

No último dia 9, dois vídeos obtidos pelo jornal "O Estado de S.Paulo" - um gravado pela Justiça e outro pelo Setor de Homicídios de Guarulhos - reforçam as dúvidas sobre a autoria do crime. Ao delegado, Rodrigues admitiu ter abordado e assassinado a vítima. Em depoimento ao juiz, o rapaz voltou atrás e disse que só confessou porque foi torturado.

"Espero que o promotor do caso atue a nosso favor", disse o pai da vítima, João Jerônimo de Freitas Borges. "Mas se ele resolver inocentar os três, o advogado vai fazer o papel da acusação", afirmou.

O julgamento dos três promete ser polêmico. Em setembro, após a suposta confissão de Rodrigues, os três rapazes foram colocados em liberdade após passarem dois anos presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.

"Nossa convicção é de que o crime foi cometido pelos três mesmo. O maníaco disse que foi torturado para confessar", argumentou o pai da vítima.

O promotor que vinha atuando no caso, Marcelo de Oliveira, já adiantou que não vai participar do julgamento. "Já emiti minha opinião (de que os três são inocentes). Prefiro que um promotor isento participe desse júri".

Após a suposta confissão de Rodrigues, o MPE determinou a abertura de inquérito para apurar a denúncia de que os três rapazes haviam sido torturados para confessar o crime. No boletim de ocorrência do dia em que o corpo de Vanessa foi encontrado, o delegado Paulo Roberto Poli Martins escreveu que Renato confessou o crime "espontânea e voluntariamente" aos policiais que o prenderam.

Também acusou o rapaz de ter tentado subornar os PMs com R$ 20 mil. William e Wagner, os outros dois acusados, sempre negaram participação no crime.

O assassinato

Vanessa Batista de Freitas desapareceu no dia 17 de agosto de 2006. Dois dias depois ela foi encontrada morta num terreno baldio da cidade, o corpo apresentava marcas de violência sexual. No mesmo dia, a polícia prende o ex-namorado e pai do filho de Vanessa, Renato Correia de Brito. Em depoimento, o rapaz confessa ter sido o mandante do crime, executado por seus dois amigos Willian Cesar de Brito Silva e Wagner Conceição da Silva, que também foram presos.

Em setembro de 2006, o delegado que investigou o caso, Antônio Carlos Cavalcante, escreve ao juiz que não havia provas que sustentassem a prisão dos supostos executores, Wagner e Willian, que sempre negaram o crime. O promotor Marcelo Oliveira pede que ambos continuem presos e é atendido pela Justiça.

Renato, Willian e Wagner ficaram detidos no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos sob acusação de violentar e matar Vanessa. Entre 2006 e 2007, tiveram um pedido de relaxamento da prisão e um pedido de habeas-corpus negados.    

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