Suspeito de matar Villela diz que ex-ministro do TSE o destratou

Leonardo Campos, que confessou ter assassinado casal Villela, disse nesta quarta-feira, que não se entregou por 'vergonha'

Severino Motta, iG Brasília |

nullO ex-porteiro Leonardo Campos, suspeito de assassinar o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, sua mulher, Maria, e a empregada do casal, Francisca do Nascimento, disse na tarde desta quarta-feira que pensou em se entregar à polícia, mas não o fez por “medo e vergonha” de seus filhos. Nesta semana, ele confessou o crime que ocorreu no final de agosto de 2009.

De acordo com Campos, um dos motivos que podem ter levado ao crime foi um suposto encontro com o ex-magistrado, que teria lhe destratado quando foi pedir emprego.

null“O que me gerou a coisa com o Dr. Villela não foi por nada, talvez por ele ter me destratado. [Ele disse] Que se ele fosse arrumar emprego para tanta pessoa ele teria que montar uma agência de emprego. Fiquei com vergonha de ser humilhado. Fiquei com vergonha”, disse.

A respeito da possibilidade de se entregar, o ex-porteiro comentou que sentia "medo e vergonha" de seus filhos, mesmo com dois deles presos, um em Minas Gerais e um em Brasília.

“Passa pela cabeça [se entregar, mas não fiz porque] sempre fui trabalhador e uma imagem [de bandido] nunca quis passar para meus filhos, que agora não tem mais como eu voltar atrás porque toda vida eles me viram trabalhando. [Não me entreguei] Por medo e vergonha deles. Nunca comentei com nenhum dos meus filhos nada, nem com eles nem com ninguém”, disse.

Sobre o crime, Leonardo alegou que ele foi quem desferiu facadas contra o ex-ministro Villela, que não teria nem percebido a ação pois teria caído de imediato após os golpes. Na ocasião, disse, teria sentido "medo e desespero" . O comparsa, que ele alega ser seu primo, Paulo Cardoso Santana, teria sido o responsável pelos primeiros ataques a Maria e à empregada Francisca.

"O plano inicial era só roubar, mas acabamos matando com medo de sermos reconhecidos", disse.

De acordo com Campos, após invadir o apartamento por uma porta da cozinha que estaria aberta, o casal, Villela assassiando e Maria, para não ser morta, teria mostrado onde estavam as jóias, o dinheiro guardado no local e ainda teria oferecido quanto os criminosos uma quantia em cheque.

Nesta tarde o suspeito negou que tenha limpado a cena do crime ou as facas usadas no assassinato. Também disse que não trancou a porta após deixar o local. No início das investigações, a polícia disse que a cena foi alterada e que os bandidos possuíam a chave do apartamento pois não havia sinais de arrombamento e as portas teriam sido trancadas após a ação criminosa.

O ex-porteiro também disse que Villela não se dava bem com a filha, Adriana, que na segunda etapa das investigações foi acusada pela Polícia do Distrito Federal de ter participado dos crimes. Disse ainda que ela era “gananciosa”.

“Ele não se dava bem com a filha, com outras funcionárias do condomínio e com outras pessoas que também possam ter ido lá (...) Ela (Adriana) sempre foi uma filha gananciosa. Ele (Villela) chegou a montar um apartamento e eu presenciar ela quebrando o apartamento porque não gostou de pintura”.

O suspeito ainda afirmou que não acreditava na impunidade e pensava que cedo ou tarde seria preso pelos crimes. “Não há crime perfeito e ninguém fica impune”. Ainda de acordo com ele, foram roubados US$ 27 mil da casa do casal, que foram trocados por R$ 50 mil, e jóias, vendidas por R$ 9 mil. Leonardo falou com jornalistas na sede da Polícia Civil do Distrito Federal pouco depois de chegar de Montolvânia (MG) a Brasília.

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