Suspeito de matar jovens em Luziânia teria de ficar isolado, segundo laudo

O pedreiro Admar Jesus, de 40 anos, recebeu o benefício de cumprir em regime semiaberto a pena por pedofilia, mas a recomendação era contrária em seu prontuário médico, segundo informações da polícia.

Adriano Ceolin, de Luziânia |

AE
Pedreiro Admar de Jesus indicou aos policiais onde estavam os corpos

Pedreiro Admar de Jesus indicou aos policiais onde estavam os corpos

Jesus, que confessou ter matado os seis jovens que estavam desaparecidos na cidade de Luziânia, em Goiás, tinha sido condenado a 14 anos de prisão por pedofilia em Brasília, mas estava em liberdade desde 23 de dezembro do ano passado, por benefício da lei. Ele cumpriu apenas quatro anos em regime fechado.

Laudo psiquiátrico divulgado pela polícia revela, porém, que o pedreiro é um psicopata com "grave distúrbio" e uma pessoa "perigosa" que deveria ser mantida "isolada do convívio social". Mesmo assim, foi libertado porque, segundo avaliação do Juizado de Instrução Penal, já havia cumprido um terço da pena e tinha direito à progressão de regime.

Dinheiro em troca de serviços

Jesus, segundo a polícia, disse que ofereceu dinheiro aos jovens em troca de pequenos serviços. Com essa abordagem, levou os adolescentes para o vale, onde os violentou e depois os matou.

No fim da manhã deste domingo, a polícia localizou os outros três corpos no vale indicado por Jesus. Os corpos das outras três vítimas tinham sido encontrados no mesmo local na tarde de sábado.

No vale, a 3 km da entrada do município, também havia um marrete que foi levado pela polícia. Todos os corpos estavam com marcas de pauladas. Eles serão transferidos para o Instituto Médico Legal (IML) para a identificação oficial por teste de DNA.

Ainda segundo a polícia, na casa em que Jesus morava, no mesmo bairro dos jovens, foram encontradas três bicicletas. A polícia acredita que duas delas eram de vítimas. Um dos jovens, também morador do bairro, reconheceu o pedreiro como sendo o homem que o abordou e ele conseguiu escapar.

Celular roubado

Jesus era investigado há 10 dias, desde que um familiar dele começou a usar o celular de uma das vítimas. Além do pedreiro, mais quatro pessoas foram detidas suspeitas de envolvimento no caso. A Polícia Federal, que apoia a Polícia Civil nas investigações, realizou três prisões em Brasília.

Jesus será transferido da 5ª Delegacia Regional de Luziânia para o Complexo de Delegacias Especializadas em Goiânia.

AE
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O caso

Entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, seis meninos com idades entre 13 e 19 anos desapareceram misteriosamente. Eles não se conheciam, mas tinham em comum o fato de todos morarem no Parque Estrela Dalva, que concentra cerca de um quarto dos habitantes de Luziânia  - quarta maior cidade de Goiás, com 203.800 moradores, segundo contagem de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Parque Estrela Dalva está situado a 56 quilômetros de Brasília, na periferia.

Todos desapareceram de dia, após realizarem atividades de rotina. O primeiro a desaparecer, em 30 de dezembro de 2009, foi Diego Alves Rodrigues, de 13 anos. Pouco antes das 10h, ele saiu de casa no bairro para ir a uma oficina de carros e não foi mais visto.

A polícia chegou a trabalhar com a hipótese de rebeldia típica de adolescente. O delegado Rosivaldo Linhares disse à época que acreditava que todos os jovens estavam vivos. O núcleo de atendimento a famílias de pessoas desaparecidas da Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, que foi à cidade ajudar nas buscas, afirmou que em mais de 80% dos casos de desaparecimento os adolescentes fogem e reaparecem em até um ano.

As mães dos jovens, porém, nunca acreditaram nesta possibilidade. A copeira Sonia Vieira de Lima, mãe de Paulo Victor, que desapareceu no dia 4 de janeiro, era uma delas. "Meu filho não era rebelde e não tinha razão para fugir", disse. "Ele era carinhoso com a família, organizado e trabalhador." O perfil corresponde a quase todos os desaparecidos, segundo os parentes.

(*com informações da Agência Estado)

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