O suspeito de matar os seis jovens que estavam desaparecidos na cidade de Luziânia, em Goiás disse, segundo a polícia, que oferecia dinheiro aos adolescentes em troca de pequenos serviços. Com essa abordagem, os levava para um vale, onde eles eram violentados e mortos.

Segundo a polícia, o pedreiro Admar Jesus, de 40 anos, morava no mesmo bairro dos adolescentes e confessou o crime após ter sido detido na tarde de sábado .

Neste domingo, ele levou à polícia ao vale onde foram encontrados os corpos dos jovens. No local, a 3 km da entrada do município, também havia um marrete. Todos os corpos estavam com marcas de pauladas. Eles serão transferidos para o Instituto Médico Legal (IML) para a identificação oficial por teste de DNA.

Celular roubado

Jesus, que  havia sido condenado a 14 anos por pedofilia , era investigado há 10 dias, desde que um familiar dele começou a usar o celular de uma das vítimas. Além do pedreiro, mais quatro pessoas foram detidas suspeitas de envolvimento no caso. A Polícia Federal, que apoia a Polícia Civil nas investigações, realizou três prisões em Brasília.

Ainda segundo a polícia, a recomendação em seu prontuário era contrária à progressão da pena para regime semiaberto .

Jesus será transferido da 5ª Delegacia Regional de Luziânia para Complexo de Delegacias Especializadas em Goiânia. Jesus ainda não prestou um depoimento formal à polícia.


Pai de jovem desaparecido se emociona ao lembrar do filho / Ag. ObritoNews

O caso

Entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, seis meninos com idades entre 13 e 19 anos desapareceram misteriosamente. Eles não se conheciam, mas tinham em comum o fato de todos morarem no Parque Estrela Dalva, que concentra cerca de um quarto dos habitantes de Luziânia  - quarta maior cidade de Goiás, com 203.800 moradores, segundo contagem de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Parque Estrela Dalva está situado a 56 quilômetros de Brasília, na periferia.

Todos desapareceram de dia, após realizarem atividades de rotina. O primeiro a desaparecer, em 30 de dezembro de 2009, foi Diego Alves Rodrigues, de 13 anos. Pouco antes das 10h, ele saiu de casa no bairro para ir a uma oficina de carros e não foi mais visto.

A polícia chegou a trabalhar com a hipótese de rebeldia típica de adolescente. O delegado Rosivaldo Linhares disse à época que acreditava que todos os jovens estavam vivos. O núcleo de atendimento a famílias de pessoas desaparecidas da Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, que foi à cidade ajudar nas buscas, afirmou que em mais de 80% dos casos de desaparecimento os adolescentes fogem e reaparecem em até um ano.

As mães dos jovens, porém, nunca acreditaram nesta possibilidade. A copeira Sonia Vieira de Lima, mãe de Paulo Victor, que desapareceu no dia 4 de janeiro, era uma delas. "Meu filho não era rebelde e não tinha razão para fugir", disse. "Ele era carinhoso com a família, organizado e trabalhador." O perfil corresponde a quase todos os desaparecidos, segundo os parentes.



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