Suspeito de matar Glauco já teve surtos e pai não internou, diz advogado de defesa

O advogado Gustavo Badaró, que defende Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, suspeito de matar a tiros o cartunista Glauco, de 53 anos, e o filho dele, Raoni, de 25 anos, afirmou ao iG que o jovem já teve surtos por causa do consumo de drogas. ¿Ele já surtou algumas vezes e precisou ser segurado, mas até onde sei não chegou a agredir ninguém¿, diz.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

AE
Carlos Eduardo na cela da sede da PF
Badaró foi contratado pela família do suspeito e assumiu formalmente a defesa na segunda-feira. Nesta terça-feira, ele viaja a Foz do Iguaçu para conversar pessoalmente com Carlos Eduardo e saber qual é a versão do seu cliente sobre o crime. Até o momento, Carlos não falou com nenhum familiar, nem recebeu visitas. Só falamos por telefone por uns 30 segundos. Eu disse que era o advogado dele e perguntei se estava tudo bem e ele respondeu que sim, afirma. Hoje terei contato com os autos e o inquérito, acrescenta.

Internação

Segundo Badaró, a família contou que Carlos Eduardo tinha um histórico de consumo de maconha, mas nunca soube se ele já usou outros tipos de drogas. Um dia em que o jovem falava coisas desconexas, o pai pensou em interná-lo, mas isso não aconteceu, conforme Badaró, porque outra pessoa da família já teve uma experiência negativa com clínicas psiquiátricas. Isso deixou profundas marcas na memória dele e é compreensível a relutância. Quando o pai falava de interná-lo, ele pedia para não ir e o pai, com o coração mole, acabava aceitando, explica.

Na segunda-feira, em vídeo, Carlos Eduardo admitiu ter matado Glauco e Raoni. Em uma das gravações, ele descreveu o momento do crime . Para o advogado, no entanto, a confissão não tem valor jurídico. Confissão é feita perante autoridade. Ninguém confessa perante repórter, pai ou mãe, defende. Além disso, Badaró afirma que, à primeira vista, pela forma como falava e gesticulava, seu cliente não parecia estar em estado normal. Se for comrpovado isso, também não tem valor.

Em breve, Badaró diz que deve ser realizado um exame de sanidade mental em Carlos Eduardo.

Santo Daime

O advogado confirma a versão da família de Glauco de que o jovem frequentava os cultos de Santo Daime na igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, mas estava afastado há cerca de seis meses. No Réveillon de 2010, no entanto, participou novamente de uma cerimônica no local. Desde então, que eu saiba, não ia em outra igreja, diz.

Prisão

Carlos Eduardo está preso em uma cela isolada da delegacia da Polícia Federal desde o fim da noite de domingo. Ele foi detido por volta das 23h na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, quando tentava deixar o País. Ao ser abordado por policiais rodoviários federais, o estudante iniciou um tiroteio. Um agente ficou ferido no braço, mas passa bem.

O jovem ficou três dias escondido em um matagal no pico do Jaraguá, na zona norte de São Paulo, enquanto planejava sua fuga. Para sair do País, roubou um carro. Segundo informações da polícia, Carlos Eduardo não recebeu visitas até o momento, comeu e dormiu normalmente.

Há um impasse sobre a transferência ou não do jovem para São Paulo já que ele responde inquérito nos dois locais. Na delegacia de Osasco é investigado por duplo homício. Já em Foz do Iguaçu, responde por roubo de veículo, tentativa de homicídio (contra agente da PF no momento da prisão), resistência e porte ilegal de drogas.

O crime

De acordo com a versão da polícia e de testemunhas, no fim da noite de quinta-feira, o estudante foi ao encontro de Glauco e Raoni, com uma pistola 765, e após uma discussão matou os dois. Eles foram socorridos por moradores e levados ao Pronto-Socorro Albert Sabin, mas não resistiram aos ferimentos.

A família de Glauco diz que ele estava muito transtornado. Deu soco no Glauco, durante a discussão, e uma coronhada de revolver na mulher do cartunista, antes de disparar quatro vezes contra Glauco e quatro vezes em Raoni.

Leia também:

  • Suspeito diz que arma apreendida é a que matou Glauco
  • Viúva contradiz versão dada por motorista de suspeito do crime
  • Sob clima de grande emoção, Glauco e filho são enterrados
  • Suspeito dizia que era Jesus Cristo, dizem amigos de Glauco
  • Após prestar depoimento, viúva deixa delegacia sem falar com a imprensa

    Leia mais sobre: Glauco

    • Leia tudo sobre: glauco villas boas

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG