Suspeito de assassinar delegado é morto em troca de tiros no Rio

RIO DE JANEIRO - O suspeito de assassinar o delegado titular da 20ª DP (Vila Isabel) Alcides Iantorno de Jesus, de 66 anos, foi morto durante uma troca de tiros com policiais da Delegacia de Homicídios, na tarde desta terça-feira, segundo informações da corporação. Ele foi baleado no bairro de Rocha Miranda, zona norte do Rio, e chegou a ser encaminhado para o Hospital Carlos Chagas, em Realengo, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com a polícia, o suspeito era um ex-PM.

Redação |

As circunstâncias da morte do suspeito ainda não foram esclarecidas. As informações preliminares constam que a vítima foi emboscada por policiais e foi baleada durante troca de tiros. Um comparsa dele, que está foragido e que estaria dando cobertura no dia da morte de Iantorno, assassinado com um tiro na nuca em um supermercado no bairro do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, não foi identificado pela polícia.

Nesta segunda-feira, dois carros com a mesma placa do veículo utilizado pelo assassino de Iantorno na fuga do local do crime foram apreendidos. De acordo com a polícia, a placa de um dos veículos, apreendido em Cabo Frio, na Região dos Lagos, pode ter sido clonada.

O ex-despachante Paulo César Teles, que teria regularizado os documentos do automóvel, prestou depoimento, nesta segunda-feira, na Delegacia de Homicídios. Ele foi expulso da PM em 1982, tem uma ficha com 21 anotações criminais e responde a processos por estelionato. O delegado responsável pelo caso, Roberto Cardoso, não quis adiantar o conteúdo das declarações.

Câmeras da CET-Rio registraram um Palio prata, com as mesmas características dos veículos apreendidos, partindo em alta velocidade do supermercado Zona Sul e seguindo à direita pela Avenida Gláucio Gil, no sentido zona sul.

Enterro sob forte comoção

O corpo do delegado titular da 20ª DP (Vila Isabel) Alcides Iantorno de Jesus, de 66 anos, foi enterrado, sob forte clima de comoção e indignação, nesta segunda-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio. A Polícia Civil acredita que o assassinato tenha sido planejado. O delegado era bastante atuante no combate ao jogo do bicho e às milícias na zona oeste carioca.

Cerca de mil pessoas acompanharam o cortejo, entre elas o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. O secretário informou que as investigações já estão sendo realizadas e que a morte de Iantorno não vai intimidar a atuação da polícia no Rio, que vem realizando diversas incursões em morros da cidade, de acordo com a postura de enfrentamento defendida pelo governador Sérgio Cabral.

O corpo do delegado foi velado na Academia de Polícia, no Centro. Esta foi a primeira vez, nos últimos 30 anos, que a execução de um delegado foi registrada no Rio.

Vinte e duas ligações anônimas para Disque-Denúncia

O coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, disse, ter recebido 22 ligações anônimas com informações sobre a execução de Alcides, todas referentes ao suposto autor do crime.

O crime

O crime, cometido em frente ao supermercado Zona Sul, chocou a polícia carioca. Segundo testemunhas, o ex-delegado chegava desarmado ao estabelecimento, por volta das 8h15, vestindo bermuda e chinelos, quando foi executado por um homem, ainda não identificado. O suspeito, antes de fugir, efetuou vários disparos para o alto, assustando fregueses.

De acordo com testemunhas, o bandido vestia jeans, camisa pólo vermelha e usava um boné para cobrir o rosto. O corpo do policial foi retirado pela porta dos fundos do supermercado, às 11h do último domingo, na mala de uma Blazer da Polícia Civil.

As imagens do circuito interno do supermercado foram requisitadas pela corporação, mas foi constatado que elas não têm qualidade suficiente para ajudar nas investigações. Técnicos trabalham para melhorar a nitidez das gravações. Especula-se que a arma do crime tenha sido uma pistola 380, tipo usado pela Polícia Militar.

Ação foi planejada

A polícia confirmou a informação de que, meia hora antes do assassinato de Iantorno, por volta das 7h45, uma ligação foi feita para o 31º BPM (Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Vargens Grande e Pequena) relatando a ocorrência de um arrastão na Estrada dos Bandeirantes, no Recreio, bairro onde o ex-delegado foi morto.

Nesta ligação, uma pessoa ainda não identificada, disse que 15 homens estavam assaltando motoristas na via, o que obrigou a PM a deslocar efetivo para a área, desguarnecendo o local do crime.

Policial atuante

Há 42 anos em atividade, Alcides foi diretor da Polinter, a Divisão de Capturas da Polícia Civil, e titular de cinco delegacias. Ele deixou a 22ª DP (Penha) em fevereiro, onde investigava a milícia a favela Kelsons e o tráfico de drogas do Complexo do Alemão. Por causa de seu trabalho, dois PMs ligados à milícia foram presos. O ex-delegado também foi responsável pela prisão do traficante Celsinho da Vila Vintém e mais recentemente fechou um bingo ilegal.

A hipótese de que ocorreu um latrocínio ¿ roubo seguido de assassinato ¿ foi descartada, já que nenhum pertence da vítima foi levado. A polícia assegurou que Iantorno não vinha sofrendo ameaças de morte.

Leia mais sobre: violência

    Leia tudo sobre: violência

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG