Suspeita de vazamento de césio 137 isola universidade no Paraná

A suspeita de vazamento do elemento radioativo césio 137 no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná, no bairro Jardim das Américas, nesta manhã, levou o Corpo de Bombeiros a retirar todas as pessoas que estavam no prédio e a isolar uma área correspondente a um quarteirão. Os estudantes somente voltaram às salas de aula depois que a possibilidade de contaminação foi descartada.

Agência Estado |

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Luiz Henrique Pombo, contou que tudo começou na sexta-feira na Estação Experimental do Canguiri, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde há um depósito de materiais inservíveis da UFPR. "Uma empresa foi fazer arrumação do local e a cápsula caiu de dentro de um dos equipamentos, mas, como são pessoas contratadas e não conhecem, não deram importância", afirmou Pombo.

Hoje, um funcionário da UFPR teria percebido uma cápsula caída no depósito e comentou com o superior, que pediu para que a levassem até o Centro Politécnico. Quando chegaram, uma engenharia ambiental viu o símbolo do césio 137 e percebeu que a parte externa estava rompida. Foi quando a UFPR chamou os bombeiros, que acionaram também a Defesa Civil e a Vigilância Sanitária.

"Assim que chegamos, isolamos a área e fizemos algumas medições na cápsula, que eliminaram a possibilidade de vazamento e contaminação do ambiente", garantiu a física do Departamento de Radiações Ionizantes da Vigilância Sanitária, Margot Schimidt.

A cápsula pesa cerca de 35 quilos, é recoberta com chumbo e tem cinco litros do material radioativo. Segundo o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, o rompimento da capa de proteção foi superficial. Ela ficará armazenada num cofre apropriado.

O produto está legalmente cadastrado para uso em máquina de cintilografia na Farmacologia da UFPR. Pombo disse que caberá à Vigilância Sanitária a investigação sobre os motivos que levaram ao descarte do material em um depósito não apropriado. Pela legislação, a cápsula precisa ser enviada ao Centro Nacional de Energia Nuclear. "Houve imperícia no manuseio quando foi para o armazenamento", afirmou o tenente-coronel.

Em setembro de 1983, em Goiânia, o césio 137 foi o responsável por um dos principais acidentes radioativos do País. Uma ampola tinha sido descartada indevidamente e acabou em um ferro-velho. O proprietário a abriu e, maravilhado com a luz que irradiava, a levou para casa e passou a mostrar a parentes e amigos. Quatro pessoas morreram e centenas ficaram contaminadas.

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