Suspeita de torturar crianças em creche é presa em Goiânia

Imagens mostram dona da creche Bebê Feliz dando tapas e jogando crianças no chão

iG São Paulo |

A dona da creche particular Bebê Feliz, Maria do Carmo Serrano, de 62 anos, foi presa nesta terça-feira sob a suspeita de torturar crianças de 0 a dois anos.

Ela teve a prisão preventiva decretada pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Goiânia, a Polícia Civil realizou buscas por Maria e ela se apresentou à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) por volta das 16h.

Segundo a delegada Adriana Accorsi, titular da DPCA, muitas pessoas a aguardavam na porta da delegacia e a hostilizaram, inclusive pais de crianças da creche que estavam acampados há dias em frente à DPCA.

Maria foi interrogada e afirmou que só fala em juízo. Ela foi encaminhada para a Casa de Prisão Provisória de Goiânia.

Agência Estado
Maria Serrano é presa em Goiás
O inquérito que apura o caso de maus-tratos foi concluído nesta semana.

Em imagens gravadas por uma câmera escondida, Maria aparece dando tapas, chacoalhando e gritando com as crianças. Em determinado momento, uma delas é jogada em um colchão de cabeça para baixo.

Segundo a delegada, o crime de maus tratos é muito pouco perto do que Maria cometeu. "Maus tratos é uma coisa bem leve mesmo, não cuidar bem da higiene, dar um tapa. Agora, tratar aos gritos, obrigar a comer vômito, sentar em xixi, trancar em banheiro escuro até parar de chorar é tortura", disse ela ao iG.
Entre os castigos aplicados por Maria, também estaria raspar a mão das crianças na parede. Uma delas aparece na gravação reclamando que está saindo sangue do dedo.

De acordo com Adriana, 15 pessoas foram ouvidas até a tarde desta segunda-feira, sendo a maioria pais de alunos. Eles confirmaram mudança no comportamento dos filhos. "Cada pai traz uma história em que demonstra que estava acontecendo maus tratos, mudança de comportamento, distúrbios, falta de apetite, perda de peso, agressividade", afirma.

Alguns, segundo ela, também perceberam machucados nos filhos. "Ela sempre tinha uma justificativa para eles, de que tinham se machucado brincando com coleguinhas. Mesmo as crianças manifestando desagrado e chorando, eles dizerm que nunca imaginaram", afirma a delegada. Pelo menos mais 20 pessoas devem ser ouvidas até quarta-feira.

Maria do Carmo possuía a creche Bebê Feliz desde 2009, mas, conforme a polícia, há pelo menos nove anos trabalha cuidando de crianças e já foi dona de outras escolas. Adriana explica que a investigação está focada neste caso de Goiânia, mas faz um apelo aos pais cujos filhos já ficaram aos cuidados de Maria. "Não temos como descobrir de todos que ela cuidou, a gente espera que eles procurem a polícia", diz.

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