Supremo decide que réu só pode ser preso após condenação final; o que você acha?

Brasília - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quinta que o réu tem direito a recorrer em liberdade em caso de sentença de prisão até que estejam esgotadas todas as possibilidades de recurso, ainda que já tenha condenação em segunda instância.

Redação com Agência Brasil |

A decisão nasceu a partir do julgamento da concessão de habeas-corpus em favor do agricultor Omar Coelho Vitor, condenado em segunda instância  a sete anos de prisão por tentativa de homicídio, em Minas Gerais.  Ele pedia ao STF efeito suspensivo à execução de sua pena, ou seja, que ele não fosse preso até o esgotamento de todos os recursos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tinha negado ao agricultor pedido semelhante.

Essa decisão, porém, não exclui a possibilidade de um réu ficar preso, mediante um decreto de prisão preventiva de um juiz, sob justificativa de que a liberdade pode colocar em risco outras pessoas ou de que o acusado pode ter interferência em inquéritos e a possibilidade de cometer outro crime. Foi neste sentido o voto do relator da ação, ministro Eros Grau, seguido pelos ministros Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio de Mello.

A decisão, por 7 votos a 4, classificada como histórica pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, indica um posicionamento que deve ser confirmado pelo tribunal em julgamentos futuros, que tratem do mesmo tema.

A tese do relator é de que a prisão, antes do julgamento de todos os recursos cabíveis, ofende frontalmente o artigo 5º, inciso LVII, da Constituição, que dispõe que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Para Grau, a  prisão durante a apelação pode ser caracterizada até como um cerceamento do direito de defesa. A regra é a liberdade. Ninguém será preso senão em flagrante delito, defendeu o ministro Ayres Britto.

Foram vencidos na discussão, que se estendeu por  praticamente toda a sessão, os ministros Menezes Direito - que deu voto, após ter pedido vista dos autos -,  Joaquim Barbosa, Carmem Lúcia e Ellen Gracie. Em sua argumentação, Barbosa chegou a dizer que existe, no Brasil, um sistema penal de faz de conta, que carece de eficência.

 Se tivermos que esperar os deslocamentos de recursos, o processo jamais chegará ao fim. Não conheço nenhum país que ofereça aos réus tantos meios de recursos como o nosso, criticou Barbosa.

Você acha que o réu deveria ser preso só após a condenação final?
Sim

Não



A consulta é realizada somente entre internautas e não tem valor de amostragem científica

    Leia tudo sobre: réustfsupremo tribunal federal

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG