Suposta relação do Planalto com Farc será investigada pelo Congresso

BRASÍLIA - Os parlamentares das comissões de relações exteriores da Câmara e do Senado vão investigar se, de fato, ministros e autoridades do governo mantiveram contato com membros da Farc (Força Armada Revolucionária Colombiana). O suposto vínculo teria sido sugerido por e-mails trocados entre o ex-líder do grupo Raul Reyes, morto este ano, e membros da guerrilha no Brasil, revelados em reportagem da revista colombiana Cambio, no início da semana.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da comissão no Senado, afirmou que já na próxima semana poderão ser requeridas cópias das mensagens ou a mesmo a convocação de alguém da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) para explicar até onde vai o ponto de contato dos narcotraficantes com o governo. A Agência está analisando o teor dos e-mails. Eles são sigilosos, mas pode ser que a comissão consiga requerer cópias para uma análise, disse.

Na Câmara, a comissão de Relações Exteriores também discutirá uma forma de abordar o tema. A idéia, segundo o deputado Antônio Pannunzio (PSDB-SP), é que seja esclarecido o nível de contato entre as pessoas citadas nos e-mails para se saber que tipo de compromisso há entre eles.

Rebate

O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-SC), minimizou a mobilização dos parlamentares oposicionistas no Congresso e defendeu a política externa  pacifista do governo do presidente Lula. Essa é mais uma tentativa da oposição de criar um foco de crítica do governo. Eles querem recriar o ambiente da guerra fria, mas o governo do presidente Lula está certo em manter um ambiente de diálogo externo, rebateu. 

Segundo Fontana, ouvir pedidos não significa concordância ou cumplicidade. E aproveitou para devolver a crítica de que os guerrilheiros colombianos seriam familiarizados com políticos petistas. O governo anterior (do presidente Fernando Henrique Cardoso) também recebeu representantes da Farc, afirmou. 

Apesar de vários integrantes do governo federal ¿inclusive o ministro de Relações Exteriores, chanceler Celso Amorim, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia ¿ terem sido citados nas correspondências, nenhuma das mensagens se dirigia diretamente a qualquer autoridade palaciana. 

A pedido da presidência da República, as informações contidas nas mensagens de Raúl Reyes serão investigadas pela Abin; depois disso, um relatório será preparado e entregue ao presidente Lula. 

    Leia tudo sobre: farc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG