Suposta fraude pode derrubar diretor-geral do Senado

O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, corre o risco de perder o cargo por conta de escândalo em contratos de terceirização de mão-de-obra na Casa. Investigação da Polícia Federal descobriu que empresários negociaram um esquema de fraudes em licitações milionárias no Senado para esse tipo de contratação, com base em informações privilegiadas repassadas por funcionários da Casa.

Agência Estado |

Gravações telefônicas feitas com autorização da Justiça revelam como as empresas Conservo, Ipanema e Brasília Informática tramaram juntas para excluir concorrentes e vencer as licitações para fornecer mão-de-obra terceirizada. Com a ajuda de servidores do Senado, as empresas descobriam quem estava interessado em determinada concorrência, faziam acordos "por fora" com compensações financeiras e decidiam com antecedência o resultado da licitação. Os diálogos, muitos com o uso de códigos, demonstram intimidade entre os empresários e os funcionários da Casa. Agaciel e o primeiro-secretário da Mesa, Efraim Morais (DEM-PB) são citados nas gravações.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-PB), disse ontem que vai se inteirar sobre o inquérito e decidir sobre o futuro de Agaciel. Efraim se defendeu da tribuna, dizendo que autorizaria a PF a divulgar trechos do diálogo gravado pela Operação Mão-de-Obra que fariam menção a ele. Disse, ainda, que também autorizaria a polícia a vasculhar sua vida financeira. Ele passou para a Mesa Diretora a decisão de suspender três contratos suspeitos de fraude, ao responder à proposta feita pelos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Demóstenes Torres (DEM-GO), como meio de "melhorar a imagem do Senado".

Efraim ganhou notoriedade nos últimos meses como autor da proposta para introduzir um novo cargo de confiança no Senado, com salário de R$ 9,7 mil - além dos seis já existentes com salário do mesmo valor e outros seis, de remuneração um pouco inferior. O senador também é o responsável pelos contratos que obrigam o Senado a repassar a quatro pequenos portais da internet de empresas da Paraíba R$ 4 mil por mês, como pagamento pela exibição da marca da instituição e pela divulgação de notícias da Casa. É o mesmo que fazem os demais órgãos de comunicação de graça. O valor anual com cada uma das empresa é de R$ 48 mil, ou R$ 192 mil pelos quatro. Agaciel foi procurado durante todo o dia de ontem, mas não atendeu à reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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