Suplicy recolhe assinaturas de correligionários na porta de festa do PT

SÃO PAULO - Antes de desfrutar da cerveja em lata oferecida à vontade no tradicional clube Homs da Avenida Paulista, todos os convidados para a festa de 30 anos do PT tiveram que passar pelo mesmo questionamento: ¿Já assinou?¿ Quem perguntava era o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que, qual um porteiro, abordava um por um.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Suplicy, um dos mais conhecidos políticos do PT e do País, senador por três mandatos consecutivos, ex-candidato a prefeito e governador, dono da invejável marca de 8.896.803 votos na eleição para o Senado em 2006, teve que passar pelo constrangimento de pedir assinaturas na porta da festa do PT para, com base no estatuto do partido, conseguir inscrever sua pré-candidatura ao governo de São Paulo.

Ele precisa de 2.970 assinaturas (1% dos filiados no estado). Ao chegar na festa, na noite de quarta-feira, contabilizava cerca de 1.600. A expectativa era conseguir outras 400 no evento mas o número pode ter sido bem maior. Só Carmelita de Britto, espécie de eminência parda do diretório zonal do PT no Tatuapé, trouxe 150. Isso porque não estive muito próxima do pessoal do partido nesses dias. Quando falo que é para o Suplicy ninguém recusa, disse ela.

Na porta do clube Homs, quarta-feira à noite, o senador abordou uma jovem militante: "Já assinou?"

Mas não ofereceram a lista de assinaturas para a gente, senador, justificou a moça.

Pois sou eu que estou oferecendo, não é a direção, respondeu Suplicy.

Apesar do respaldo junto à base do partido e do eleitorado, Suplicy tem sido solenemente ignorado pela cúpula petista. Um dos motivos é o comportamento excêntrico, como na vez em que aceitou vestir a cueca por cima da calça a pedido do Pânico na TV. Outro é o comportamento político errático, cujo maior exemplo foi ter forçado o então pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva a disputar prévias em 2002, quando tudo o que a direção do PT queria era evitar marolas.

Agora, ele ameaça levar o partido novamente às prévias, disposto até a enfrentar sua ex-mulher, Marta Suplicy, em uma disputa interna de conseqüências imponderáveis, conforme revelou ao iG.

Para evitar as prévias, Suplicy faz um pedido simples: que a direção inclua seu nome nas próximas pesquisas para o governo de São Paulo.

Podemos evitar as prévias desde que a decisão seja com base em critérios, disse ele.

A mágoa com a direção se revelou quando uma repórter lembrou que o nome mais bem avaliado em uma pesquisa interna do partido é o do senador Aloízio Mercadante. Numa pesquisa em que não puseram meu nome, reclamou Suplicy.

Segundo ele, o presidente do PT estadual, Edinho Silva, se comprometeu a incluir seu nome nas próximas sondagens. Ainda estou esperando.

Em conversas reservadas os próprios dirigentes admitem que Suplicy certamente teria bom desempenho numa pesquisa para o governo estadual. Por isso não incluem seu nome.

Perguntado se estaria desapontado com a direção partidária, Suplicy respondeu:

Para mim o importante é a base, os filiados, enquanto coletava mais duas assinaturas e posava para fotos com um casal de militantes.

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