SÃO PAULO ¿ Na manhã de quarta-feira, a Dona de casa M.T, moradora da cidade de Joinville, recebeu o telefonema de dois amigos de Blumenau. Os relatos contados via telefone fizera M.T escrever um e-mail, indignado, pedindo a parentes e amigos que denunciassem um abuso: a cidade de Blumenau, uma das mais afetadas pelas enchentes, enfrentava, além do drama, uma briga com comerciantes. A demanda fez com que alguns mercados triplicassem o preço de alimentos.

Acordo Ortográfico  O pão francês, vendido a R$0,50 a unidade, hoje é comprado por R$2,00. Outro produto inflacionado foi o botijão de gás, que custa aproximadamente R$38,00, mas em alguns pontos de Blumenau está sendo comercializado por R$120,00. O abuso dos preços, segundo M.T, aconteceu no bairro Vila Itoupava, região afastada do centro da cidade. A dona-de-casa comenta que os amigos ainda estão ilhados. No começo da semana, uma barreira desabou na saída do vilarejo. Ela, como outros catarinenses abalados pela tragédia, não quis se identificar.

  • Quando a energia foi restabelecida, os moradores saíram para comprar comida e gás nas redondezas. Como não há muitas possibilidades de locomoção no bairro, a alternativa era buscar produtos nos mercados locais. O preço assustou os moradores, mas a saída foi pagar o preço..

    M.T. diz entender o desespero de comerciantes, preocupados com as contas do final do mês. Entretanto, na opinião da dona de casa,  subir um pouco é até aceitável por causa da demanda, mas é um momento em que isso, jamais, deveria acontecer.

    Apensar da revolta, M.T explica que esse tipo de atitude não é um fato novo. Ela conta que, há quatro anos, ocorreu uma queda de granizo muito forte no bairro

    Pirarabeiraba, distrito de Joinville. A destruição foi intensa. Boa parte do bairro teve os imóveis destruídos. Dias após a tragédia, as vítimas tentaram comprar telha nas lojas da região. O preço dos materiais de construção era praticamente o dobro do valor de mercado.

    A população ficou revoltada, mas os comerciantes não sofreram nenhum tipo de punição. Alguns não compraram e foram pedir ajuda da prefeitura. Gerou revolta, mas ninguém fez nada. O povo tem mania de reclamar dentro de casa e não se mobilizar. É preciso fazer, ao menos, um panelaço, provocar alguma reação.

    Reclamar e não denunciar a órgãos responsáveis pela defesa do consumidor dificulta a punição aos infratores, explica Nilton Liechtenberg, diretor do Procon de Blumenau. Estou pedindo para que as pessoas comprovem as denúncias, para que eu possa abrir um processo e, futuramente, punir os abusos. Liechtenberg pede para que o consumidor procure pelo Procon e mostre a nota fiscal da compra. Ele ainda alerta que a multa pode variar entre R$200,00 até 3 milhões.

    Liechtenberg afirma que recebeu, até agora, apenas duas reclamações, por e-mail, informando que um mini-mercados do centro de Blumenau tinha dobrado o preço dos alimentos para se aproveitar do excesso de demanda. A providência tomada pelo diretor foi notificar o comércio. O dono do estabelecimento tem até 10 dias para apresentar resposta.

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