Supermercado afasta funcionários por suposta agressão a cliente

Após a denúncia de agressão por racismo, revelada na quarta-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo, a rede de supermercados Carrefour decidiu afastar a empresa Nacional de Segurança Ltda., que prestava serviços em algumas lojas de São Paulo.

Agência Estado |

A rede também afastou o gerente da loja de Osasco, na Grande São Paulo, onde o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, diz ter sido confundido com um ladrão e agredido pelos seguranças .

Santana registrou boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial (DP) de Osasco. Na próxima semana, ele vai prestar depoimento no 9º DP, onde o inquérito está tramitando. Seu advogado, Dojival Vieira, vai entrar com uma ação de indenização por danos morais contra o Carrefour e contra o Estado. Queremos que os cinco seguranças e os três policiais sejam identificados e responsabilizados. Esses casos de racismo não podem mais acontecer num País onde a metade da população é negra ou parda.

"Fui humilhado"

Enquanto sua família fazia compras na loja, Santana diz ter sido levado por cinco seguranças do supermercado até um quartinho, onde foi espancado por cerca de 20 minutos. Fui humilhado e acusado como se fosse um criminoso. Quando eu dizia que o carro era meu, eles riam e me batiam ainda mais. Pensei que fosse morrer, conta.

Segundo o técnico, os seguranças não vestiam uniformes nem usavam crachás. Eles eram morenos, um pouco mais claros do que eu, mas não eram brancos. Quando eu tentava me explicar, um deles disse se você não calar a boca, neguinho, vou acabar com você.

"Sua cara não nega"

Quando os policiais militares chegaram ao local, eles também não teriam acreditado que Santana fosse dono do automóvel. Eles riam e diziam sua cara não nega, negão. Você deve ter, pelo menos, três passagens pela polícia.

Depois de insistir muito, eles foram até o automóvel, onde sua família o esperava. Após conferir documentos, os PMs foram embora. Santana espera que o caso possa servir de exemplo para outras pessoas que sofrem racismo.

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