Por Robert MacMillan NOVA YORK (Reuters) - O homem grande de cabelo trançado mirou dois Stormtroopers Imperiais com sua câmera.

Nos filmes da série "Star Wars", os Stormtroopers são opressores letais. No New York Comic Con 2009, um encontro de fãs de histórias em quadrinhos, romances gráficos e equipamentos de ficção científica, eles representam oportunidades fotográficas gratuitas.

E tudo o que é gratuito é bom no Comic Con, cujos frequentadores estão enfrentando restrições orçamentárias este ano. A crise financeira pode não estar levando as pessoas a passar fome, mas o desemprego e o medo fiscal crescentes estão suscitando uma nova frugalidade.

"Ficarei satisfeito se eu vender 60 por cento do volume do ano passado", comentou Albert Stoltz, proprietário da Basement Comics, de Havre de Grace, Maryland.

Stoltz, que pagou 2.400 dólares por um estande no qual vende livros de quadrinhos que podem custar até 150 dólares cada, acrescentou: "Isto é escapismo. Não precisamos de livros de quadrinhos tanto quanto precisamos de comida".

Na praça de alimentação do subsolo da feira, Ordalina Acevedo, que vende sanduíches, comentou que a conferência deste ano não está tão animada quanto a do ano passado. "Há menos pessoas. É a economia", disse ela.

Mas o vice-presidente e gerente do New York Comic Con, Lance Fensterman, disse que o evento recebeu cerca de 77 mil pessoas este ano, ou seja, 15 por cento mais que no ano passado. É um índice de crescimento menor do que nos anos passados, mas, segundo Fensterman, o responsável por isso é o local onde a conferência acontece, o Javits Center.

"Tivemos que recusar a entrada a milhares de fãs no sábado porque não podíamos recebê-los com segurança no espaço disponível", disse ele. "Fiquei maravilhado com a resposta dos fãs ao evento que criamos, e a demanda que houve, não obstante a situação econômica atual, refletiu isso claramente."

Os fãs inveterados das HQ compareceram em peso. Foi possível ver pelo menos meia dúzia de "Coringas" perambulando fantasiados como o personagem vivido por Heath Ledger, com batom manchado, rosto pintado, coletes verdes e trench coats roxos.

Modelos promocionais percorriam o espaço em minissaias e camisetas, chamando a atenção de adolescentes de óculos fantasiados de super-heróis.

Havia também um homem fantasiado de Anakin Skywalker, mais conhecido como Darth Vader nos filmes "Star Wars", explicando suas falhas a uma equipe de cinegrafistas. "Não sei tomar decisões acertadas", dizia.

O Comic Con sempre pode contar com seus fãs fiéis para continuar funcionando mesmo em tempos difíceis, disse Chris Stuppi, fundador da loja Griffons Claw Armoury, de Piscataway, Nova Jersey, que estava vendendo réplicas de facas, espadas de samurai e outras armas na convenção.

"As pessoas economizam para vir ao evento", disse Stuppi, para quem a crise financeira não é novidade. Há duas semanas ele perdeu seu emprego no banco de investimentos Oppenheimer, em Nova York.

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