BRASÍLIA (Reuters) - O governo central encerrou outubro com superávit primário de 14,655 bilhões de reais, valor recorde para o mês e 48 por cento superior ao resultado registrado há um ano, informou o Tesouro Nacional nesta terça-feira. No acumulado do ano, a economia feita pelo governo central para o pagamento de juros também teve crescimento expressivo.

De janeiro a outubro, o governo central --formado por Tesouro, Previdência e Banco Central-- acumulou superávit primário de 95,606 bilhões de reais, 56 por cento superior aos 61,373 bilhões de reais acumulados em igual período do ano passado.

O resultado, também recorde, é equivalente a 4,03 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e já supera a meta do governo para o ano todo, que é de superávit de 77,6 bilhões de reais.

Apesar da vantagem em relação à meta, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, lembrou que os resultados fiscais nos últimos dois meses do ano tradicionalmente são menos favoráveis por conta da concentração de despesas com itens como pessoal.

"Eu entendo que a meta está adequada", afirmou Augustin a jornalistas. "Pode haver variações, mas não muito significativas."

O secretário acrescentou que, até o momento, as contas do governo ainda não sofreram impacto da crise financeira global.

No mês passado, as receitas líquidas do governo, descontando os repasses a Estados e municípios, cresceram 10 por cento frente a setembro, enquanto as despesas aumentaram 8,3 por cento.

Em setembro, quando o governo arcou com despesas do pagamento da primeira parcela do abono anual da Previdência Social, sem correspondência em outubro, o superávit primário do governo central foi de 6,130 bilhões de reais.

No ano, o Tesouro acumula superávit de 129,7 bilhões de reais, a Previdência tem déficit de 33,7 bilhões de reais e o Banco Central, déficit de 363 milhões de reais.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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