O engenheiro sul-africano William Charles Erasmus, que morreu na terça-feira no Rio, de febre maculosa, recebeu tratamento contra a doença, disse hoje a cientista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Elba Lemos. Antes do diagnóstico, suspeitava-se que o sul-africano tivesse sido infectado pelo arenavírus, mal que causou epidemia em seu país de origem.

Dentre as hipóteses investigadas para o diagnóstico do engenheiro estavam também dengue, hepatite, herpes, hantavírus e malária. A febre maculosa não fora levantada pelas autoridades envolvidas como possibilidade de diagnóstico, mas médicos que cuidaram do engenheiro já desconfiavam que poderia ter atingido o engenheiro, disse Elba Lemos, que chefiou a equipe responsável pelos exames. De acordo com ela, o engenheiro chegou a ser medicado com um antibiótico para esse tipo de doença na Casa de Saúde São José, onde faleceu.

William Charles Erasmus havia chegado ao Brasil no dia 23 de novembro já infectado, segundo especialistas da Fiocruz que investigaram o caso. A febre maculosa, causada pela bactéria do gênero Rickettsia, teve 641 casos registrados no País entre 1997 e 2008, principalmente nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio. A doença é transmitida por carrapatos, não de pessoa a pessoa.

Foram investigadas 101 pessoas que estiveram com Erasmus desde que chegou ao Brasil e, dessas, 25 estavam sendo monitoradas porque tiveram contato com fluidos ou secreções corporais do engenheiro. "A partir de hoje o monitoramento está suspenso", disse o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério de Saúde, Eduardo Hage.

Elba Lemos disse que a febre maculosa é de difícil diagnóstico, porque o quadro inicial de sintomas, com febre, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos, é comum a diversas doenças. Mesmo os sintomas posteriores de manchas no corpo e sangue na urina existem em outros tipos febres hemorrágicas, e a doença pode matar já entre cinco e sete dias após os sintomas iniciais.

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