Stone mostra um Chávez heroico e visionário no Festival de Veneza

Alicia García de Francisco. Veneza (Itália), 6 set (EFE).- Hugo Chávez é um herói, mas também um homem, um libertador, embora lhe chamem de ditador, e um visionário que levou a América do Sul rumo à esquerda, longe dos Estados Unidos e do Fundo Monetário Internacional, segundo a visão que Oliver Stone mostra em seu novo documentário.

EFE |

"South of the Border" é o novo trabalho do diretor americano, que se apresenta amanhã oficialmente no Festival de Cinema de Veneza, fora de competição, e que hoje teve sua primeira exibição, em exclusividade para a imprensa e representantes da indústria cinematográfica.

Alguns risos diante das ocorrências de Chávez e aplausos - não excessivamente entusiasmados - foram a resposta a esta primeira exibição de um documentário que tinha gerado muita expectativa e cujo resultado não deixa de ser uma mera lembrança.

Um trabalho bastante simples que não apresenta nada a quem conheça um pouco a realidade latino-americana e que também não mostra o lado desconhecido do líder venezuelano.

Stone, diretor de filmes tão brilhantes quanto "JFK - A Pergunta que Não Quer Calar" e "Platoon", não se mostra igualmente acertado com este documentário sobre Hugo Chávez, a revolução bolivariana e os Governos de esquerda existentes neste momento na América Latina.

De uma forma com bastante efeito, Stone introduz o relato com imagens tiradas dos noticiários de televisão americanos nos quais Chávez é qualificado de inimigo, de diabo e de ser culpado de tudo de ruim imaginável.

Frente a estas imagens, um discurso televisionado de Chávez no qual chama de "donkey" (burro) o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush.

Um Chávez o tempo todo sorridente e relaxado explica a Stone como chegou ao poder em 1998 - conversas amenizadas com flashbacks de imagens de cada época -, após as violentas revoltas sociais do final dos anos 80 e início dos anos 90, e uma primeira tentativa frustrada de golpe de estado em 1992.

Apoiado em declarações do historiador Tariq Ali, Stone faz um percurso pelos países latino-americanos "amigos" de Chávez e, certamente, inimigos dos Estados Unidos - na época de Bush - e do Fundo Monetário Internacional.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, aparece jogando futebol e mascando folhas de coca com o diretor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também está entre as entrevistas de Oliver Stone, que fecha a narração com imagens da participação de Barack Obama na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago.

No entanto, a frase final é de Chávez: "É possível mudar o mundo e a história. É possível, Oliver", diz o presidente venezuelano. EFE agf/an

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