SÃO PAULO - O Ministério Público Federal (MPF) deu parecer para que seja rejeitado o pedido de habeas-corpus apresentado pelo casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A opinião consta do parecer enviado ao STJ nesta terça-feira (20) em resposta à determinação do relator da ação, ministro Napoleão Nunes Maia Filho.

No parecer, o subprocurador Eugênio Aragão opina, primeiramente, pela rejeição (não-conhecimento) do habeas-corpus.

A participação do médico legista George Sanguinetti nas investigações da morte da menina Isabella Nardoni promete muita polêmica. Segundo ele, há fortes indícios que podem mudar o rumo dos trabalhos feitos até agora. De posse dos laudos há nove dias, quando recebeu o convite dos advogados de defesa do casal acusado, Sanguinetti aponta equívocos. O mais forte é a ausência de indícios de esganadura, como afirmou a polícia. Ele viaja no próximo sábado para São Paulo, onde irá convocar uma junta médica para dar início aos trabalhos.

O legista recebeu laudos técnicos, planta baixa e croquis do edifício, além de exames cadavéricos feitos em Isabella. Após analisar o material, ele destaca a ausência de provas que comprovem esganaduras na menina, supostamente feitas pela madrasta, Ana Carolina.

Segundo ele, todas as lesões encontradas no corpo de Isabella teriam sido causadas pela queda. Isso significa que não houve agressões antes que ela caísse do sexto andar do edifício onde moravam o pai e a madrasta. Sanguinetti afirmou que a polícia foi precipitada ao afirmar que houve esganadura. Disse ainda que, se houve esganadura, o agressor teria usado luvas para evitar marcas, o que seria pouco provável.

Para o legista, o novo laudo assinado por ele pode mudar o rumo do processo. George Sanguinetti foi convidado pela defesa do casal Nardoni para atuar no caso.

O médico legista, que também é vereador por Maceió, é famoso por atuar em casos de difícil resolução. O de maior repercussão foi em 1996, quando ficou conhecido por contestar a tese do legista Badan Palhares, na morte de Paulo César Farias, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor, e de sua namorada, Suzana Marcolino.

Badan Palhares defendia a tese de crime passional: homicídio seguido de suicídio. Mas Sanguinetti contestou o laudo e defendeu a tese de duplo homicídio. Um dos pontos levantados por ele é que, para matar PC antes de cometer suicídio, Suzana Marcolino teria que estar voando sobre a cama para cumprir a trajetória da bala que atingiu o ex-tesoureiro. Desde o episódio, o legista anda com colete a prova de balas e cercado de seguranças.

O caso

AE
Alexandre e Anna quando foram presos dia 7
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese da criança ter caído da janela do 6° andar por acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada do apartamento por alguém.

Nardoni e Anna Jatobá respondem a uma ação na Justiça pela morte da menina. Os dois estão em penitenciárias de Tremembé, no interior de São Paulo. A defesa estuda recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O pai alegou à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".


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