STF vai comunicar antecipadamente a Lula decisão a favor da extradição de Abadía

SÃO PAULO - O Supremo Tribunal Federal vai comunicar antecipadamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão a favor da extradição do confesso narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. A informação foi confirmada pelo próprio STF. A decisão do Tribunal foi tomada no dia 13 de março.

Redação com EFE |

Sem optar pelo direito de apelação e ainda sem a publicação oficial da resolução que aprovou a extradição, os advogados de Ramírez Abadía pediram à máxima corte de Justiça do País para acelerar a mudança do chefe do narcotráfico aos Estados Unidos.

Uma fonte da defesa indicou à Agência EFE que o ministro do (STF) Eros Grau atendeu ao pedido do advogado Luiz Gustavo Battaglin e o tribunal aceitou por unanimidade enviar a decisão ao presidente Lula, que terá um prazo de sessenta dias para autorizar a extradição.

Abadía foi preso em sete de agosto, em São Paulo, junto a sua mulher também de nacionalidade colombiana e mais 12 pessoas na denominada "Operação Farrapos".

O mais procurado pelos EUA

O chefe do cartel de drogas era o narcotraficante mais procurado pelos EUA, país que oferecia cinco milhões de recompensa por sua captura e onde Ramírez Abadía deverá responder pelas acusações de tráfico internacional de drogas e quinze homicídios.

Em março passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma decisão unânime atendeu um parecer favorável à extradição apresentado pela Procuradoria da República e condicionou a mesma a que os EUA respeite um princípio constitucional de não aplicar sentenças superiores a trinta anos, como estipula a legislação brasileira.

Condenado a trinta anos

A renúncia em recorrer à apelação, e o fato de haver aceitado a decisão do STF, que ainda não chegou a ser publicada oficialmente, ocorreram imediatamente depois da sentença do Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo, que condenou Ramírez Abadía a uma pena de trinta anos por quatro delitos cometidos no Brasil.

Battaglín assinalou a jornalistas em Brasília, após visitar o STF, que a defesa apelará dessa sentença da Justiça regional, pois considera injusta a acusação de "corrupção ativa" e sem essa acusação a pena poderia diminuir para dez anos, que seriam computados com a condenação que será imposta pelos EUA.

Os outros delitos pelos quais Ramírez Abadía foi julgado no Brasil são os de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e uso de documentos falsos.

Delação premiada foi recusada

Em seu processo judicial, Ramírez Abadía entregou propriedades avaliadas em US$ 3,2 milhões que foram leiloadas pela Justiça e ofereceu entre US$ 35 e US$ 40 milhões para uma delação premiada que facilitasse sua extradição e a mudança para uma prisão em São Paulo.

O juiz federal de São Paulo, Fausto de Sanctis, no entanto, negou o pedido ao considerar que a quantia era muito pequena frente aos supostos US$ 117 milhões que o chefe da quadrilha, economista de uma universidade de Bogotá, teria escondido antes de sua captura em sua luxuosa residência.

O confesso narcotraficante, que durante seus três anos de clandestinidade no Brasil passou por 78 cirurgias plásticas, em pelo menos três tentativas de mudar sua aparência física, está preso na prisão de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

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