STF suspende decreto de prisão de 18 suspeitos de envolvimento em falsificação de habilitações

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, suspendeu os decretos de prisão preventiva da Justiça Paulista contra 18 investigados na Operação Carta Branca, realizada pela Polícia Rodoviária Federal e pelo Ministério Público. Na Carta Branca, uma quadrilha que falsificava e vendia carteiras nacionais de habilitação foi desmanchada. Em sua decisão, Mendes declarou que a ¿prisão preventiva foi decretada de forma genérica para todos os denunciados¿.

Redação |

A Justiça paulista decretou a prisão preventiva por entender que os investigados fariam parte de uma organização criminosa que se destinava à prática de crimes gravíssimos que atentam contra a ordem pública, segundo informa o STF.

Foram beneficiados com a decisão: Juarez Pereira Campos, delegado titular de Ferraz de Vasconcelos; Ana Lúcia Máximo Campos, esposa de Juarez e proprietária de duas auto-escolas; Flávio de Almeida Fernandes, sócio de Ana Lúcia; Aparecido da Silva Santos, chefe do Ciretran de Ferraz de Vasconcelos; Paulo Luís Batista, despachante; Marcelo Pires Felizzi; Marcus Vinicius Coelho, funcionário da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos; Miguel Antônio Pereira, proprietário de três auto-escolas; José Antônio Gregório da Silva, despachante responsável pela distribuição para todo o País; Elaine Gavazzi, proprietária de auto-escola; Ademar Quadros Fernandes, proprietário de auto-escola; Mauro Pereira Lobo, proprietário de auto-escola; Rosana Maria Gerotto de Azevedo, médica; Maria Ângela Ferreira, psicóloga; Vanessa Santos Silva, psicóloga; Fernando José Gomes, delegado de Ferraz de Vasconcelos; Ulisses da Silva Leite, investigador e Johnson Benedito de Paula, escrivão.

A investigação da Operação Carta Branca teve início em maio de 2007, após denúncia da Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso do Sul. Interceptações telefônicas revelaram que a falsificação das carteiras nacionais de habilitação (CNH) era realizada, em sua totalidade, em São Paulo, especialmente em Ferraz de Vasconcelos. Os documentos eram emitidos nessa cidade e vendidos para todo o Brasil, com apoio da Ciretran da cidade, que era comandada pelo delegado de polícia Juarez Pereira Campos, também preso na operação. Além de Campos, o delegado Fernando José Gomes também é suspeito de participação no esquema.

Para praticar a fraude, uma pessoa se fazia passar pelo candidato a motorista. Ela fornecia sua impressão digital para que o comprador da falsa carteira não precisasse passar por todo o procedimento de habilitação (exames médico e psicotécnico, além de aulas teóricas e práticas).

As falsas informações eram inseridas pelas auto-escolas no sistema para a emissão da carteira de motorista. Ao final dessa etapa, todo esse procedimento era encaminhado para os funcionários da Ciretran, que, cientes de tudo, lançavam as informações no sistema como se verdadeiras fossem, ou seja, como se o candidato a condutor de fato tivesse sido aprovado em todos os exames. Dependendo da localidade, as carteiras falsificadas eram vendidas por valores entre R$ 1,3 mil e 1,8 mil.

Leia mais sobre: Operação Carta Branca

    Leia tudo sobre: operação carta branca

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG