'STF deve dar mais direitos à mulher', diz mãe que abortou

A pernambucana Michele de Almeida, 31, interrompeu a gravidez em 2004 durante vigência de liminar; hoje, ela tem duas filhas

Cíntia Acayaba, iG São Paulo |

Agência Brasil
O então ministro da Saúde, José Gomes Temporão, Michele Gomes de Almeida, as duas filhas e o marido em foto de 2008
Michele Gomes de Almeida, 31, tinha 23 anos quando se valeu de liminar da Justiça para poder interromper a gravidez de um feto anencéfalo, em 2004.

Ela é uma das cerca de 60 mulheres que foram beneficiadas com liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que liberou o aborto de anencéfalos entre 1º de julho e 20 de outubro de 2004.

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Hoje, oito anos depois, a pernambucana Michele espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê ouvidos à causa e que mais mulheres possam ser beneficiadas com a decisão. “Se o STF liberar, vai evitar que a mulher passe constrangimento. É uma forma da mulher ter mais direito”, diz.

Em 2003, os médicos disseram a então operadora de caixa Michele que ela não poderia engravidar porque tinha um cisto no ovário. Em 2004, no entanto, ela engravidou e alegria veio junto. Sensação interrompida pouco tempo depois quando médicos da rede pública de saúde de Recife disseram que a filha tinha hidrocefalia.

Diante da limitação de diagnóstico, os médicos orientaram Michele a procurar a rede particular de saúde para receber uma confirmação sobre o caso.

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Em um hospital privado, Michele recebeu a informação de que o feto tinha má formação _anencefalia.

“Eu me desesperei porque não tinha estudo detalhado e não sabia o que era aquilo que estavam me dizendo. Eu achava que eles estavam mentido”, diz Michele.

nullLogo após a constatação, Michele foi informada sobre a liminar em vigor que permitia o aborto nessas circunstâncias. “Em um primeiro momento, não quis. Achava que a minha filha poderia viver em cima de uma cama, que fosse, mas que sobrevivesse”, conta.

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Mas quando soube que não era o caso de anencéfalos, Michele se internou dois dias após saber o diagnóstico para interromper a gestação de 4 meses.

“Depois da cirurgia, senti que era a pior mulher do mundo por não conseguir. Minutos depois vi que havia sido a decisão correta”, afirma.

Na saída do hospital, pensou em se separar do marido. Nada disso aconteceu. Quatro meses depois, Michele engravidou de Nicole, de 7 anos. Mais quatro anos, chegou Yasmin. Michele continua casada com o marido, o bombeiro Ailton Maranhão de Almeida.

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