A sociedade brasileira, o Judiciário e o Ministério Público (MP) viveram um quadro de terror durante o predomínio do Estado policial. Essa situação só começou a ser mudada em 2007, com a reação iniciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ontem o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes.

"Todos estávamos amedrontados. A polícia dizia o que o juiz e o promotor deviam fazer", disse.

"Era um quadro de terror. Quando o magistrado resistia a esse tipo de ameaça, era atacado. Às vezes, a Polícia Federal (PF) prendia até cem pessoas numa dessas operações espetaculares e muitas nem sequer responderiam a um processo à frente", disse ele, no lançamento do Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo, iniciativa da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para tentar reduzir as invasões de terras.

"Tenho muito orgulho de ter iniciado a reação a isso, durante a Operação Navalha", declarou. A ação da PF foi deflagrada em maio de 2007, para apurar irregularidades que teriam sido encabeçadas pela Construtora Gautama, em contratos com a União e governos estaduais. O discurso foi uma resposta às queixas da CNA de que há insegurança jurídica no País, principalmente em relação aos conflitos agrários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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