Stephanes: ação do MST não deve contaminar discussão

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje que o debate em torno da atualização dos índices de produtividade não deve ser contaminado pelas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) nos últimos dias, que culminaram com a invasão de uma fazenda da Cutrale no interior paulista. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, disse, no prédio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), onde foi assinar um acordo de cooperação para rastreamento bovino.

Agência Estado |

Segundo o ministro, não é válido usar a ação do MST como argumento para barrar a atualização dos índices pedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de dois meses, depois de um encontro com líderes do MST, em Brasília. Ele argumentou que esta não foi a primeira vez que o movimento invadiu uma propriedade privada e destruiu plantações. "Não é a primeira vez que o MST faz isso e o índice deve ser debatido como uma questão técnica", disse.

O ministro voltou a defender uma discussão técnica sobre os índices de produtividade, mesma posição que vem sendo defendida por produtores rurais que não concordam com a atualização do indicador alegando que, para isso, é necessário estabelecer não apenas critérios de tamanho de propriedade e produção, mas também comportamento do mercado e dos preços. O ministro admitiu, porém, que a questão é "emblemática". "Há desconfiança da classe rural com o MST e o Incra", afirmou.

Para o ministro, o governo precisa tomar "atitudes mais agressivas", por meio de seus órgãos de repressão, em relação às ocupações de sem-terra. "Além de o fato ser brutal, não há explicação política ou ideológica que o justifique", considerou. "A Polícia deve punir", repetiu.

Questionado se uma forma de barrar a ação do MST seria por meio da interrupção do repasse de verbas do governo ao movimento, o ministro alegou que o MST não existe juridicamente e, que portanto, não poderia falar sobre o tema. Ele disse desconhecer o fato de o governo repassar recursos ao movimento, porque o MST não possui qualquer registro contábil que comprove sua existência. "Vocês (jornalistas) terão que perguntar a outra pessoa. Não sei disso", finalizou.

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