"Vinho químico" é feito com mesmo álcool de posto de gasolina

Origem da bebida vendida na Virada Cultural ainda é desconhecida pela Prefeitura de SP. Garrafa custava em torno de R$ 1,50

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

A origem dos cerca de 17,6 mil litros de “vinho químico” apreendidos durante o último final de semana na Virada Cultural, ainda é desconhecida pela administração municipal, afirmou o subprefeito da Sé, coronel Nevoral Alves Becheroni, nesta terça-feira em conversa com o iG . As apreensões foram feitas por agentes da Prefeitura de São Paulo, Guarda Civil Metropolitana (GCM) e pela Polícia Militar (PM).

iG São Paulo
Bebidas irregulares foram encaminhadas à Sabesp para o descarte adequado do produto
Segundo o subprefeito, a administração criou uma central de inteligência, nas vésperas do evento, para apurar os pontos de distribuição da bebida - que segundo a prefeitura, é composta por 96% de etanol (o mesmo vendido em postos de gasolina) e 4% de pigmento e doçura similar à groselha - e poder identificar que essa a logística de distribuição e venda. “Todo esse nosso trabalho de inteligência, juntamente com a experiência que tivemos em 2010, na Virada Cultural e na Parada Gay, nos leva a crer que essas bebidas chegam à cidade vindas de municípios do interior.”

Para o subprefeito, essas bebidas não são produzidas em grande escala e a distribuição é concentrada em grandes eventos. “A produção desses produtos é sazonal. Os criminosos esperam um grande evento, em que obviamente a demanda é enorme, e aproveitam para entrar na capital com esse material. Você não encontrará bebidas desse tipo sendo vendidas fora da época da Virada Cultural ou da Parada Gay. São os maiores eventos de rua do mundo, e os bandidos sabem que é a melhor época para aproveitarem da população.”

Durante as fiscalizações ocorridas no último final de semana os agentes da prefeitura e da polícia identificaram 20 estabelecimentos que faziam a distribuição desses produtos e, de acordo com o secretário municipal de Subprefeituras, Ronaldo Camargo, a maior dificuldade em encontrar os vendedores foi a logística na hora de vender. “Nesta Virada Cultural percebemos que os ambulantes mudaram a estratégica de vendas. Agora eles andam no máximo com três garrafas de bebidas, em alguns casos inclusive com rótulos falsificados, para evitar a identificação deles. Mas tivemos êxito, pois secamos a fonte, que eram os lugares onde estavam armazenados os produtos.”

Por conta do baixo custo para a produção das bebidas, algo em torno de R$ 0,80, muitos ambulantes chegam a vender a garrafa por R$ 1,50, dependendo da pechincha. “O custo para quem produz é muito baixo, então qualquer preço que cobrarem acima de R$ 0,80 já é lucro. Durante o evento chegamos a flagrar gente vendendo até por R$ 10. Variava muito da pechincha”, explicou o subprefeito da Sé, coronel Nevoral Alves Becheroni.

Segundo o tenente coronel da Polícia Militar, Roberto Oliveira Campos, chefe do Estado Maior do Comando da Capital, existe uma ação integrada para a extinção na venda dessas bebidas. “O trabalho para evitarmos a produção e consumo deste veneno está sendo realizado não só pela PM, mas também contamos com agentes da Polícia Federal e Polícia Civil. Já ouvimos as pessoas que foram presas vendendo essas porcarias e agora também damos início ao mapeamento dos pontos de produção. Isso é um veneno.”

Para obter mais informações sobre a composição exata do “vinho químico”, a Prefeitura de São Paulo enviou, na última segunda-feira, amostras do produto para o Instituto Adolfo Lutz, e o laudo conclusivo deve sair, segundo a prefeitura, em dez dias. “Com o laudo em mãos poderemos saber os reais danos que essa bebida causa ao organismo. A princípio pudemos constatar que algumas pessoas que ingeriram tiveram fortes náuseas, dores de cabeça, alternância no humor, alucinações e apresentaram atitudes agressivas”, disse o subprefeito da Sé.

As cerca de 30 toneladas de bebidas alcoólicas apreendidas durante a Virada Cultural, foram destinadas à Sabesp, nesta terça-feira, e serão diluídas em água, que será tratada para depois ser descartadas no esgoto.

    Leia tudo sobre: vinhoquímicoapreensãoprefeituravirada cultural

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG