Vigias de supermercado de SP são indiciados por tortura

Vigilante foi acusado de tentar roubar o próprio carro no Carrefour de Osasco. Indiciamento é inédito em casos de discriminação

AE |

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A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o vigilante Januário Alves de Santana, espancado no estacionamento do Carrefour de Osasco em agosto de 2009, foi torturado pelos seguranças da loja. Negro, ele foi acusado de tentar roubar o próprio carro. Cinco seguranças envolvidos foram indiciados e podem pegar até oito anos de prisão. O indiciamento é considerado inédito em casos de discriminação racial no País. O inquérito deve ser finalizado até o fim do mês, quando será encaminhado para o Ministério Público.

"Restou cristalino que Januário Alves de Santana foi submetido a intenso sofrimento físico e mental a fim de obter sua confissão. Angustiante perceber que (o que motivou) a empreitada foi a discriminação racial", escreveu o delegado Léo Francisco Salem Ribeiro, do 9.º Distrito Policial de Osasco, no despacho de indiciamento anexado ao inquérito. 

Em 7 de agosto de 2009, Santana aguardava do lado de fora de seu carro no estacionamento quando foi abordado pelos seguranças, que o espancaram alegando ser "impossível um neguinho ter um EcoSport". O vigilante foi agredido com "cabeçadas, esganaduras, coronhadas e socos" para que confessasse o roubo do próprio veículo, segundo o despacho, de 18 de novembro. Santana, de 39 anos, fraturou a face, perdeu um dente e teve de passar por cirurgia.

Em nota, o Carrefour informou que todos os funcionários envolvidos no caso "foram afastados na ocasião do ocorrido" e que "colabora com as autoridades" até o fim da investigação. Também ressalta que "implementou ações de comunicação e formação, que visam a difundir conceitos de diversidade e promoção da inclusão social". No ano passado, o Carrefour indenizou o vigilante em acordo extrajudicial, por um valor não divulgado.

Três policiais militares que atenderam a suposta ocorrência de roubo de veículo são citados no indiciamento por "omissão de socorro" e serão julgados pelo Juizado Especial Criminal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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