Vigia que acusou ex de Mércia diz que foi torturado pela polícia

Evandro Bezerra Silva diz que policiais de Sergipe o torturaram para que ele acusasse Mizael Bispo de Souza

iG São Paulo |

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Evandro Bezerra da Silva no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo, na última semana
O vigia Evandro Bezerra Silva afirmou nesta segunda-feira, em depoimento à polícia de São Paulo, que foi torturado por policiais de Sergipe para acusar o advogado Mizael Bispo de Souza pelo assassinato da ex-namorada e advogada Mércia Nakashima. Mizael é o principal suspeito da polícia pelo crime, mas teve a prisão temporária revogada na última semana. 

Segundo a polícia de São Paulo, o vigia se recusou a responder outras perguntas sobre o caso e disse que só falará na presença de um juiz. Detido em Sergipe, Silva teria afirmado à polícia que o ex de Mércia vinha planejando executar a advogada desde o início de maio por se sentir rejeitado. A advogada foi encontrada morta no dia 11 de junho em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, após ficar 19 dias desaparecida.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe  contestou a declaração Evandro Bezerra Silva . "A SSP/SE lamenta que tal atitude de Evandro, evidentemente orientado por sua defesa, no sentido de prejudicar as boas investigações que vem sendo realizadas", informou o documento.

De acordo com o programa "Fantástico", da Rede Globo, peritos da Polícia Civil de São Paulo concluíram que a terra encontrada em um par de sapatos do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza é compatível com a da represa onde o corpo foi encontrado .

Segundo o programa, para realizar a diferenciação, peritos compararam os cristais encontrados na terra do sapato com os da represa. Isso pode comprovar que, ao contrário do que Bispo alega ele esteve no local onde a ex-namorada foi morta. A análise pericial será entregue à Polícia Civil.

Ele é até o momento o principal suspeito no assassinato da ex e já foi indiciado por homicídio doloso triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Para a polícia, o crime foi premeditado e Bispo matou a advogada por ciúme e por não se conformar com o término da relação. Ele nega todas as acusações.

Na última quinta-feira, um dia após ter a prisão temporária revogada pelo juiz Jayme Garcia dos Santos Jr, da Vara do Júri de Guarulhos, e deixar de ser considerado foragido, Bispo voltou a aparecer. Passou pela casa onde mora e pelo escritório que mantém em Guarulhos, na Grande São Paulo.

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Mizael Bispo de Souza ao deixar sua casa, em Guaraulhos (SP), na última quinta-feira
O advogado criticou o delegado Antônio Olim , responsável pelo caso, e disse que ele o persegue e transformou as investigações em algo pessoal. "O Olim quer se promover politicamente, se transformar em secretário de Segurança Pública. Ele não sai da televisão falando deste caso e fazendo acusações sem fundamento contra mim. O Olim é incompetente. Até agora, ele não conseguiu elucidar o caso", afirmou.

O ex-PM voltou a dizer que é inocente e que não se apresentou à polícia após a Justiça decretar sua prisão por considerá-la "arbitrária". "Sem fundamento, sem nenhuma prova contra mim. O doutor Olim me elegeu como único culpado pelo crime e foi em cima de mim o tempo todo", disse. Nesta semana, o policial militar aposentado deve novamente ser ouvido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo.

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, a irmã de Mércia, Claudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. Quando estava com ele “Mércia era outra pessoa”. “Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, diz Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado diz que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. No entanto, o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

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