USP tem manifestações contra e a favor da polícia

Grupo que pede policiamento provocou estudantes que invadiram prédio após detenção de usuários de maconha pela PM

iG São Paulo |

A Universidade de São Paulo (USP) recebeu nesta terça-feira manifestações de estudantes a favor e contra a presença da Polícia Militar. No fim da tarde alunos se reuniram na Praça do Relógio para ironizar o grupo que ocupa um prédio da Filosofia em protesto pela detenção de três usuários de maconha dentro do campus. 

No início da noite foi a vez de outros estudantes se reunirem na Faculdade Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) para decidir o que fazer do movimento que pede a retirada da polícia. Eles dizem que só vão desocupar o prédio quando o convênio firmado entre a universidade e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) for suspenso.

Na convocação para a manifestação desta terça-feira, feita por redes sociais, os organizadores declaram que “a presença da Polícia Militar é necessária” por causa da falta de preparo da Guarda Universitária para exercer o trabalho de segurança do local.

A estudante de letras Marina Grilli, uma das organizadoras da manifestação, reconhece admite que a Polícia Militar não tenha condições de resolver todos os problemas, mas reconhece que ela é a melhor solução, a curto prazo, para a universidade. “A PM é o que temos agora. E diminuiu em muito, sim, a criminalidade no campus. Então não faz sentido algum pedir a sua retirada”, disse.

“Antes da morte do aluno da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) tínhamos menos polícia e eu me sentia menos seguro. Agora temos visto rondas, e está bem mais tranquilo andar [aqui]”, disse Henrique Ianelli Gonçalves Luiz, estudante de engenharia elétrica, um dos participantes da manifestação.

Renan de Oliveira, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), declarou que o órgão defende o aprofundamento do debate entre os estudantes sobre o tema. “Não achamos que existam verdades absolutas, nem que a polícia seja a única saída, nem que a ausência da polícia, agora, vá resolver o problema que vimos ao longo do ano de insegurança e violência. O que não queremos é que estudantes se aproveitem desse clima de insegurança para fazer política em cima disso”, disse.

Na opinião de Oliveira, o consenso entre as partes sobre o assunto pode enfrentar dificuldades, mas irá ocorrer. “Isso não virá da noite para o dia. A universidade tem 80 mil pessoas, e essa é uma questão bem problemática. Precisamos ter uma mesa de debate e envolvimentos dos professores. A universidade produz conhecimentos para muitas áreas e tenho certeza de que para resolver esse problema da segurança e da circulação de estudantes, a universidade pode auxiliar os estudantes a tirar uma posição sobre isso”, declarou.

Para o tenente-coronel José Luiz de Souza, comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento na região do Butantã, em São Paulo, “não há excesso” na abordagem policial dentro do campus. Souza explicou que o trabalho desenvolvido pela PM dentro da USP é de “prevenção de delitos. “A abordagem policial é um dos recursos estratégicos que a instituição utiliza, em todo o território paulista, para reprimir ilícitos. Não há abuso. É uma estratégia usada pela polícia há muitos anos”, disse.

Segundo Souza, o confronto ocorrido entre a PM e os estudantes foi, principalmente, pela falta de diálogo e excesso dos estudantes. “Estive presente, aqui, no momento em que isso aconteceu. A polícia militar adotou todos os recursos e esgotou todos os meios que tinha de negociação para fazer com que esse fato transcorresse da maneira menos traumática possível. Mas a partir do momento em que houve o cerco à viatura da polícia, a quebra dos vidros, as agressões, o rapaz subindo em cima da viatura, aí, evidentemente, a polícia não teve outra alternativa a não ser fazer uso da força necessária para desobstruir e garantir a segurança”, declarou.

* Com informações da Agência Brasil

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