Uma parada cardíaca ¿embarca¿ por mês no metrô

64% das vítimas não sobrevivem. Médicos treinam passageiros para reverter quadro

fernanda aranda, iG São Paulo |

Todo mês, uma parada cardíaca “embarca” nas estações do metrô de São Paulo e mais de 60% das vítimas que sofrem o dano cardíaco não consegue sobreviver. Para tentar reverter este quadro, médicos do Instituto do Coração (Incor) estão de plantão nas estações para ensinar os passageiros a fazer socorro médico.

AE
No Metrô de SP, 36% das vítimas com parada cardíaca sobrevivem. Índice pode aumentar para 55% só com treinamento de passageiros
“Já temos evidências internacionais o suficiente para confirmar que o treinamento, engajamento e conscientização da população são determinantes para aumentar a sobrevida das paradas cardíacas”, afirmou o cardiologista Sérgio Timerman, coordenador do Incor na área de urgência/emergência.

A massagem torácica bem-feita, afirmam os especialistas, pode ser o diferencial para salvar a pessoa antes da chegada dos médicos. Timerman cita como exemplo duas cidades dos Estados Unidos que confirmam esta teoria.

Chicago, por exemplo, tem como média geral de sobrevivência às paradas cardíacas o índice de 5%. Já nos aeroportos – que passaram por programa de capacitação de socorro – a taxa sobe para 60%. Em Las Vegas, o mesmo fenômeno é atestado: 10% a média da cidade contra 70% dentro dos cassinos. “Todos estes trabalhos não foram feitos levando em conta a atuação de médicos nos socorros de emergência e sim leigos”, completa o especialista.

Atualmente, o Metrô tem como média de sobrevivência 36%, bem maior do que a da cidade de São Paulo que tem taxa de 5% de sobrevida. Com o treinamento dos passageiros do Metrô, os especialistas acreditam que esta média pode subir, a curto prazo, para 55%. A capacitação começou nesta segunda-feira, dia 10, e vai até o dia 14, sempre das 12h às 16h (veja programação abaixo).

O efeito da massagem

Os problemas cardíacos são a principal causa de morte no mundo e no Brasil ocupam o topo do ranking da mortalidade. Anualmente, são 308 mil vítimas no País, segundo dados do Ministério da Saúde, impulsionadas por hábitos de vida nada saudáveis, como fumo, alimentação calórica, uso de drogas e também sedentarismo.

A massagem torácica bem-feita melhora o fluxo de sangue no coração e no cérebro, capaz de reverter o dano cardíaco. Para o sucesso no socorro é preciso ainda da ajuda de um aparelho chamado desfibrilador. Cada minuto sem socorro, a probabilidade de morte por parada cardíaca aumenta em 10%. O tempo considerado ideal é de três minutos.

Treinamento no metrô


11 de maio – 12h às 16h – Estação Paraíso
12 de maio – 12h às 16h – Estação Santana
13 de maio – 12h às 16h – Estação Santo Amaro
14 de maio – 12h às 16h – Estação Tatuapé
Capacidade de atendimento: 30 pessoas por turma, com duração de 20 minutos.


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