Um terço das vítimas de latrocínio em São Paulo é morta no carro

Sensação de segurança e sentimento de posse são alguns dos fatores que levam motoristas a demorar para obedecer ao assaltante

AE |

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O operador de máquinas João dos Santos Braga, de 41 anos, estava em seu Astra com a mulher e o filho de 11 anos, no Itaim Paulista, zona leste da capital, às 18h30 de 15 de agosto de 2010, quando foi abordado por ladrões. Ele ficou assustado e demorou para sair do veículo. Foi baleado três vezes no peito e morreu. Outras 22 pessoas, entre as 69 vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte) no Estado de São Paulo, entre julho e setembro, foram assassinadas dentro de seus carros.

Dos 46 casos restantes, 13 pessoas morreram em roubos a residências, 10 em estabelecimentos comerciais, 10 em assaltos nas ruas, uma durante roubo de carga e 12 em outros casos. A reportagem fez a separação dos tipos de latrocínio com base nas estatísticas criminais divulgadas no dia 31 de outubro pela Secretaria da Segurança Pública.

Sensação de segurança e sentimento de posse são alguns dos fatores que levam motoristas a demorar para obedecer ao sinal dos assaltantes ou a reagir impulsivamente, como acelerar. "O interior do veículo é um ambiente particular. Isso dá uma falsa sensação de privacidade e segurança ao motorista", diz o psiquiatra Daniel de Barros, do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. "Mas reações também podem surgir pela questão da posse e do instinto de proteção."

Reações altamente condenadas pelas autoridades policiais do Estado. Tanto o coronel Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da Polícia Militar, quanto o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, afirmam que as vítimas de roubos jamais devem reagir nem contrariar os assaltantes. Ambos afirmam que a prioridade das duas polícias é combater com rigor tanto os latrocínios como os crimes contra o patrimônio. As informações são do Jornal da Tarde.

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