Tudo se encaixa, diz promotor do caso Mércia após reconstituição

Já um dos advogados de defesa, Ivon Ribeiro, que acompanhou os trabalhos, afirmou que esperava uma reconstituição ¿mais fiel¿

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

"Tudo se encaixa”,  foi a frase do promotor Rodrigo Merli Antunes, do Ministério Público de São Paulo, após o término da reconstituição do caso Mércia Nakashima, realizada na noite desta sexta-feira. 

A reconstituição, que começou pouco depois 19h, foi feita baseada integralmente no depoimento de um pescador (cujo nome não foi divulgado) que disse ter visto o carro da advogada se aproximando da represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, no dia 23 de maio, e depois afundando na água. Para o promotor, a versão da testemunha foi confirmada.

A testemunha foi colocada do outro lado da margem da represa, onde afirmou que estava pescando na noite do crime. Na primeira tentativa, ele não conseguiu visualizar o carro, já que o céu estava encoberto, mas, segundo a polícia, em uma segunda tentativa, com maior claridade da lua, ele teria conseguido ver o carro e uma pessoa saindo dele. "A avaliação foi positiva e já temos respostas para as perguntas. Ele viu tudo”, afirmou o promotor.

Conforme o promotor Antunes, por sugestão da defesa de Mizael Bispo de Souza, acusado pelo assassinato da ex-namorada, os peritos chegaram a mentir para o pescador para testar a veracidade das informações que ele passava. “Falamos para ele que uma pessoa estava agachada, mas ele disse: 'estou vendo uma pessoa, mas ela está de pé'. O que confirmou que ele estava enxergando o que acontecia", explicou Antunes.

O delegado Antônio Olim, que investigou o caso,  também disse que o saldo da reconstituição foi positivo. “Fizemos a dinâmica, a lua estava igual, tudo igualzinho”, afirmou.

Já um dos advogados de defesa, Ivon Ribeiro, disse que esperava uma reconstituição “mais fiel”. “Foi rápida e não abordou muitos pontos, além de ser um pouco dirigida”, afirmou, mas acrescentando que isso não muda a estratégia da defesa. "O Bispo não estava na cena do crime”, defendeu.

Logo após o término da reconstituição na beira da represa, após as 22h, a equipe formada por peritos, advogados, promotor e delegado, se dirigiu à estrada da Pedra, conhecida como estrada municipal de Cuiabá. Segundo a polícia, na altura do número 555 da estrada, o vigia Evandro Bezerra da Silva disse, em depoimento, que se deparou com uma viatura policial quando saía da represa com Mizael. “Foi uma pergunta que ninguém fez. Ele falou por espontânea vontade isso”, enfatizou o promotor que disse ter plena convicção de que os dois irão à júri popular.

Ele também acrescentou que acha difícil a transferência do julgamento para outra cidade, como pede a defesa. "O crime gerou intranquilidade em Guarulhos, não tem sentido sair de lá. A Constituição diz que os acusados tem que ser julgados por seus pares", afirmou e acrescentou que, se for realizado em Nazaré Paulista, o julgamento também corre o risco de não ser isento. "O Mizael já foi policial militar em Nazaré e tem muitos amigos na região".

Antes do início da reconstituição, o irmão de Mércia, Márcio Nakashima, e o advogado de defesa de Mizael Bispo de Souza, Sammir Haddad Junior, brigaram. Os dois se desentenderam quando foram se cumprimentar. Veja como foi

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