Efetivo policial aumenta para blindar a migração de usuários de drogas para bairros como Higienópolis e Liberdade

Usuários de drogas se concentram na esquina das ruas Aurora e Guaianazes nesta terça-feira
AE
Usuários de drogas se concentram na esquina das ruas Aurora e Guaianazes nesta terça-feira
A partir desta terça-feira, o policiamento de choque de São Paulo (que abrange as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – Rota, cães e a cavalaria da Polícia Militar) e policiais da região central da cidade auxiliam os cerca de 100 policiais militares que já atuam na Ação Integrada Centro Legal. O Corpo de Bombeiros e uma aeronave da PM também auxiliam o policiamento.

A Rota é uma força tática da Polícia Militar conhecida por atuar em situações de confronto. Seu efetivo esteve presente em conflitos marcantes de São Paulo como na invasão e massacre do Carandiru, em outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos.

Realizada há uma semana nas ruas da Cracolândia, a ação terá agora 287 policiais militares, quase o triplo do efetivo policial anterior. O reforço tem a intenção de combater a migração de usuários de drogas para outros bairros da cidade, como Higienópolis, Liberdade, Bom Retiro e Santa Cecília. A segurança foi reforçada nesses bairros. "A migração já era prevista", afirmou o tenente Flávio Martinez, do 13º Batalhão, comandante da operação na região.

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De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, bases comunitárias Móveis estão instaladas nas praças Júlio Prestes, Princesa Isabel, República e Vilaboim, e nos largos do Arouche e Santa Cecília. A PM usará no patrulhamento 117 carros, 26 motos e bicicletas, além de 40 cavalos, 12 cães farejadores e o helicóptero Águia.

A operação está na sua primeira fase, que busca livrar vias como a rua Helvétia e as alamedas Glete, Dino Bueno e Cleveland do livre comércio e uso do crack, consumido nas calçadas ou casarões e terrenos invadidos da região. As aglomerações de usuários de drogas são dispersadas pela polícia com bombas de efeito moral, mas eles migram para outras ruas.

Ação desastrosa

Nesta terça-feira, o Ministério Público de São Paulo informou que abriu inquérito civil para apurar a operação realizada pelo governo estadual. Os promotores consideraram a ação “desastrosa” por ter sido realizada sem a devida integração entre a Polícia Militar e as secretarias municipais de Assistência Social e Saúde.

Churrascão

Um “churrascão de gente diferenciada” está sendo organizado na Cracolândia pelo coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão), como protesto contra a ação da PM na região. Mais de 750 pessoas já confirmaram presença no evento, marcado para sábado (14), a partir das 16h, na esquina da rua Helvétia com a rua Dino Bueno, no centro de São Paulo.

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